Descobri-o à uns anos atrás numa tarde soalheira, enquanto corria através das bucólicas paisagens primaveris do Norte da Bélgica, nos arredores da pequena cidade de Kasterlee. Estão lá em repouso 100 soldados escoceses dos regimentos do The Royal Scots, do The King’s Own Scottish Borderers e do The Royal Scots Fusiliers. Era quase tudo rapaziada com menos de 20 anos e que aqui perdeu a vida em Setembro de 1944, durante a travessia do canal de Meuse-Escaut. A operação militar em que participavam, — um gigantesco ataque aéreo pára-quedista americano, desenhado para conquistar os países baixos em 48 horas e abrir caminho às tropas aliadas para acabar com a guerra numa questão de semanas– viria a revelar-se como o maior fiasco dos aliados após o sucesso inicial da operação Overlord e do desembarque nas praias da Normandia. A esta chamaram-lhe operação Market Garden e dela resta só mesmo este lindíssimo e luminoso garden, onde por vezes, depois de um dia no escritório, venho acabar os meus footings, esticando os músculos estendido na sua erva verde e bebendo a água que, de uma fonte plantada no meio do cemitério, faz viver cristalina, a força e a coragem daqueles jovens soldados que ali deixaram por nós, as suas vidas. Este é mesmo o meu cemitério preferido e se pudesse e o merecesse, viria para aqui um dia fazer companhia a estes lads, e ouvir para a eternidade, no meio de gargalhadas e canecas de Scotch, as suas histórias de guerra e amizade, de amor e de morte.

















