Meet you at the rooftop

Mudar de casa nunca é fácil. Sobretudo se debaixo de 37 graus centígrados, numa cidade húmida e sem uma ponta de vento. Foram duas semanas passadas numa casa desconhecida, sem ter uma verdadeira cama, sem frigorífico, sem livros, sem roupa e sem ar condicionado, movendo caixas de um lado para o outro, sentindo-me como um daqueles escaravelhos africanos que empurram bolinhas de excremento sobre o solo duro da savana, sem qualquer lógica aparente e sem nunca concluir o que quer que seja. E o pior de tudo foi fazer tudo isto sem ter uma redezinha em casa onde ligar o meu portátil. Agora o pior já passou e posso finalmente regressar a este acolhedor cemitério e às lides da gente morta. De qualquer maneira abandono de imediato o novo lar, deixando o resto da família a abrir as últimas caixas, partindo, antes que comecem as férias, para um derradeiro périplo até à ilha de Manhattan.

A soar-me nos ouvidos, levo esta canção.

Lovin’Spoonful — Summer in the city — 1966

Comentários a “Meet you at the rooftop” (5)

  1. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Sobre o resto não sei, mas com 37º tem que se andar mesmo sem roupa. :)

  2. Luciana diz:

    Caro Gonçalo, isso causaria frisson aqui no meu terreiro, 37o nos é usual…

  3. Joana Vasconcelos diz:

    O que eu gosto desta música e ao tempo que não a ouvia … mas estaria disposta a jurar que era do Joe Cocker!!!

    Vasco, que bom ter-te de volta por aqui! Fizeste falta! Boas viagens!

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Vasco, atenção lá com os escravelhos: a bola de caca é o ninho deles. Mas percebo a alusão, claro. E com 37º deve ser uma estucha e peras.
    Luciana, frisson no terreiro?… E não é? Aqui mal começa a aquecer e é logo toda a carinha laroca a disputar a roupinha mais microscópica, e os homem todos de torcicolo, cabeçadas nos postes eléctricos, acidentes patéticos, cenas conjugais no meio da rua… Frisson!…
    Joana, acho que há uma versão Joe Cocker. Veja esta:

    http://www.youtube.com/watch?v=rFc5xCV4ZFo

  5. Turmalina diz:

    Eu, aos 37 graus, não sou quase ninguém…meu dia não rende lá grandes coisas…e nem me fale em caixas de mudanças, faz pouco tempo que me livrei das últimas e olha que faz tempo que nos mudamos.

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