LeBon à la guillotine!

Nos anos 80, enquanto as minhas primas mais velhas (e as suas amigas — algumas delas que por acaso também por aqui andam — e aqui arrisco) se deleitavam com a voz inconsequente do foleirão do Simon Le Bon e com a música já um pouco plastificada dos Fleetwood Mac do “Mirage” e dos Roxy Music do “Avalon”, eu e os meus primos, tentando demonstrar-lhes o nosso desdém mais profundo, explorávamos o que para nós era o máximo daquilo que definíamos como exemplos de música verdadeiramente de vanguarda. Os Smiths eram bons mas um bocadinho comerciais. Os Bauhaus, uma anedota gótica. Os U2 demasiado rockeiros. O que era muita bom mesmo, era isto:

Laurie Anderson — Big Science

E isto:

Robert Fripp & The League of Gentleman

E coisas mais antigas como isto:

Brian Eno — Here come the warm jets

Obviamente que de música sabíamos muito pouco e hoje, pensando bem, aquela que desses anos 80 me ficou mesmo como uma doce recordação é toda uma outra. Na festa de 40 anos de uma amiga no outro dia, numa bonita villa ali para os lados de Corso Vercelli em Milão, acabei aos saltos no meio de outros quarentões e quarentonas, a dançar ao som disto:

The Police — Regatta de blanc

e disto,

 

Joe Jackson — I’m the man!

Aconselho. Foi uma experiência muitíssimo revigorante.

Comentários a “LeBon à la guillotine!” (9)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Ainda tenho um vinil Fripp & Eno — No pussy footing. Muito bom.
    Imagino a sessão de ginástica — eu iria para à ortopedia mais próxima, pela certa.

  2. Joana Vasconcelos diz:

    Vasco Luís, visto que praticamente temos a mesma idade, deixa que te diga que não me parece nada bem vires aqui para o blog marrar com as tuas primas mais velhas — que não vejo há anos, mas que na adolescência achava o máximo — e com as amigas delas só porque são, prontos, mais velhas e gostavam dos Duran Duran e dos Fleetwood Mac e assim.

    Por mim estou completamente à vontade, primeiro porque sempre fui super fã dos Police — by the way, thank you for the music, como diriam os ABBA, mas é melhor não ir por aí agora, que me desgraço e não me convém — e achava muita graça ao Joe Jackson. E ao Bryan Adams.

    Quanto aos Duran Duran, concordo que o Le Bon era um bocado foleiro — e agora está um ogre, gordíssimo. Giro, giro, era o guitarrista, o Taylor. Mas também se deixou estragar, como diz a minha avó.

    • Vasco Grilo diz:

      Admito que o guitarrista à sua maneira tinha a sua pinta.…. E os novos Fleetwood Mac fizeram o Rumours que é também um absolute must em qualquer discoteca digna de o ser.
      E Joana Maria, fico à espera de um dia destes poder saltar contigo ao som dos Police. Talvez assim não me voltes a chamar Vasco Luis que é coisa que me faz sempre tremer os joelhos…

      • Joana Vasconcelos diz:

        Olá Vasco, alinho, claro, na tua bela saltante ideia! E se é como dizes, vou já guardar o VL para ocasiões realmente extremas, para lhe não desperdiçar o tremendo potencial!

  3. Ana Marçal Grilo diz:

    A prima (que apenas nasceu uns meses antes.…) acusa o toque dos Duran Duran! Mas gostava dos outros també~m!

    • Vasco Grilo diz:

      Olá prima mais velha (de não muito é verdade)! Como forma de me desculpar, digo aqui que me lembro que sabias todo de cor o Jesus Christ Superstar que é um dos meus albuns favoritos de todos os tempos (Para além de saberes de cor todas as canções dos Beatles, mas isso é tudo uma outra conversa). Grandes beijos e vemo-nos em São Pedro de Moel em Agosto!

      • Joana Vasconcelos diz:

        Confirmo, Simplesmente Vasco!!! Sabia-as todinhas e suspeito que ainda as sabe … Fora as coisas absolutamente espantosas de que se lembra desses tempos idos — não conheço ninguém com uma memória igual …

  4. Carlota diz:

    Super Laurie Anderson! Já ouviste último album? Dizem ser quase tão bom como este. Tive a sorte de a ver há 2/3 anos na Culturgest.

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