Homem Mau

Mau, mau, mau. É o que ele é. Ó se é. Ataca pela calada da noite e, rasteirinho mas benenuoso, como as cobras de que tanto diz gostar, recorre à falsidade e à intriga, pratica a calúnia e tenta semear a dúvida e a divisão.  

Refiro-me evidentemente ao sinistro António Benedito Afonso de Eça de Queiroz, decano dos mortos deste nosso cemitério que, esta madrugada, e a culminar um crescendo de torpes e totalmente infundadas acusações que me foi movendo ao longo dos últimos dias (ei-las aqui e aqui e aqui) e no espaço de um único comentário:

1) Me acusou falsamente, a mim que tenho a inscrição na Ordem suspensa há que anos, de exercer irregularmente a advocacia (“vive afogada de in folios legais”), o que além de violar regras deontológicas básicas, constitui como se sabe crime de usurpação de funções (art. 358.º, al. b), do Cód.Penal);  

2) Me acusou da mais crassa incompetência enquanto jurista, afirmando despudoradamente que utilizo no meu dia-a-dia textos legais caducos e há muito revogados (“anda sempre a escarafunchar lá pelo velho tronco das Ordenações Filipinas”);

3) Afirmou sem rodeios que, mais que a precisar urgentemente de férias, estou para lá de treslida (“isso não lhe faz nada bem”), logo que só profiro dislates e incongruências;

4) Incorreu no mais primário machismo ao estabelecer, displicente e paternalista, a irrelevância e o desacerto de tudo o que eu digo, de forma tão categórica que praticamente retroactiva  (“não pode acreditar em tudo tudinho que ela diz”).     

5) Tudo isto dirigido à minha querida Luciana, transatlântica e dedicadíssima amiga, junto de quem procurou, de forma vil, denegrir a minha imagem a todos os níveis, pessoal e profissional: não ter acrescentado que eu era também gorda, loura, desgrenhada ou que falo muito só pode ter sido falta de lembrança.

E fê-lo sem qualquer motivo. Mas ainda que o tivesse, a verdade é que nada, mas nada, justificaria tamanha ruindade.

A gravidade da situação é, pois, extrema. Isto não pode, não vai ficar assim. Não, não o vou castigar. Isso dar-me-ia muito trabalho e o referido António não merece que eu me canse por causa dele.  

Conversei com o Santo António — dele, mas sobretudo meu. Que me deu, claro, toda a razão. E que ficou de me ajudar. Por isso, antes que termine o dia de hoje, vão começar a desaparecer coisas ao terrível António – a caneta preta, o relógio, os óculos (de ver e escuros), a chave do carro e por aí fora. Graças à intercessão do Santo, o ingrato António vai passar os próximos dias à procura de todos os objectos que nesse exacto momento precisaria de ter à mão. E vai ser muito bem feito.

Quanto a mim, declaro-me, a partir deste momento e por tempo indeterminado, em greve aos posts do cruel António – não mais vou lê-los e menos ainda comentá-los. Abstenção total de actividade nas correspondentes zonas do blog – como se lá nada estivesse. Nada nem ninguém.          

Comentários a “Homem Mau” (22)

  1. Orcama diz:

    Dilecta Joana Vasconcelos:
    Seria mais fácil e eficaz fazer-lhe desaparecer o teclado… vá lá, o ecran…

    Caríssimo António “Escalfado” Eça:
    A rapaziada não tem remissão… Ou acabamos fatiados como Manuel “Sliced” Fonseca ou “Poached” como Vossa Eminência… A quem estará reservado o “Scrambled”?…
    Valem, ao menos, as vossas qualidades organolépticas para os simpáticos e gostosos menus que as femenis competências deste blog preparam…

    Por outro lado, pressuroso, manifesto-me ao inteiro dispor das partes para o imprescindível e mais que urgente acerto bilateral — dado ainda não dispoem de sindicato — atendendo à assumida prestação dos serviços mínimos do blog, neste período de remanso… Que tal à volta de um licor Benedictine, de fórmula secreta, talvez até com asas, quiçá essência, de dragão?…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Estimado e generoso Orcama, agradeço a sua pronta e solícita disponibilidade, mas é mesmo caso para dizer que de nada vale gastar a sua cera com tão ruim defunto …

      Já viu o impenitente comentário do morto em apreço aqui em baixo? É que, casmurro, atira em todas as direcções … e até do Santo pretende ser oráculo! Mas que mau feitio!

      O que vale é que o Santo não dorme e os desaparecimentos vão começar, ó se vão …

  2. Turmalina diz:

    Joana…entendi tudo direitinho…mas ficou só uma dúvida sobre essa praga que rogaste.É com a ajuda do Santo, é? Interessei-me :o)

    • Joana Vasconcelos diz:

      Claro que é, Turmalina. O meu Santo nunca me nega nada. E, neste caso, por mais uma razão: trata-se, embora possa não parecer, de acautelar a salvação de um António, que tem de penar pelo mal que fez para depois se arrepender e porventura arrepiar caminho. Mas, como bem já deve ter percebido, isto só lá vai com um milagre. E dos grandes.

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Joana, mas que ENORME equívoco! Vamos por partes:
    1 — Não se pode usar o Santo para fins inconfessáveis (apesar de confessados. ó se…).
    2 — Como não exerce? Ensina leis — logo, exerce com leis (não me diga que nunca pegou num processo, que nunca viu unzinho que fosse…)
    3 — As Ordenações Filipinas são ferramentas de contextualização — não digo que você apenas lê e analisa o velho tronco ibérico das leis.
    4 — Sobre os alegados «dislates», apenas formulei uma preocupação de verdadeiro amigo…
    5 — Gorda e loura, Joana? Só se fosse cegueta! Agora palavrosa e ligeiramente despenteada, bem, disso ainda não tenho a certeza absoluta!…
    & — A caneta é prateada, tenho vários pares de óculos e não ando de carro ao domingo…

    Orcama: escalfado?, asas de dragão no chá?! Cheira-me que assim você não arranja clientela…

    Turmalina: não há dúvida nenhuma, o Santo não olha a pragas. Eu é que sei!

    Cruzes! Tanto barulho por quase nada!

  4. Joana Vasconcelos diz:

    Equívoco meu decerto, palavrosa e despenteada criatura, propensa a tempestades num copo de água! Ou estarei a interpretar mal a sua obstinada lógica?

    António Benedito, isto é cada tiro, cada melro! Quanto mais escreve, mais se enterra! E o pior é que o faz de caso pensado! E invoca-me o pobre do Santo, como se fosse o seu profeta … Vai ser lindo …

    E que fique bem claro que só lhe respondo porque se trata de um post meu!

    A luta continua!

  5. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Vocês deviam tentar ser amigos! Nem que fossem só virtuais.

  6. Orcama diz:

    Caro António,
    Escalfado sim! mas não tenho nada a ver com a história, como dizia Drummond.
    Foi lá mais para baixo, na obra “da mítica, da vingadora, da dilacerante, da implacável, da castigadora Vagina Dentata”… Nisso sou inocente… nem um “tout petit comentaire” proferi…
    Quanto ao licor Benedictine, DOM, eu, humilde, profiro: AOM!!!…
    Magnânima (pretendidamente), Joana Vasconcelos:
    Lá para as minhas bandas africanas, diz-se:
    A luta Continua
    E a Vitória é certa!
    Nós somos milhões,
    E, contra milhões ninguém combate.
    E quem tentar, será vencido!
    E outros até acrescentavam:
    Pátria o muerte,
    Venceremos!!!…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Isso mesmo. Whatever you say, estimado Orcama. Sempre certo nos seus comentários e certeiro nas suas citações. Agradeço desvanecida o poético e africano apoio.

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Joaninha, minha querida amiga, não interpretou mal — nada mal, diria mesmo. Embora tenha errado no recipiente da tempestade: não é copo de água mas tão só uma carica…
    Quanto a melros, sim, já aconteceu — hèlas!…
    Mas prefiro perdizes, que são péssimas cantoras — ao contrário dos melros — e são infinitamente mais saborosas. Só vantagens, como pode ver.
    Agora as coisas mais sérias: «Quanto mais escreve mais se enterra»? Mas não é essa a mais digna função de um bom e competente morto, a de estar bem enterrado?
    E já vai em 3–0…
    Não sou profeta — que iconoclastia, Joana… Sou um simples intérprete, de grande qualidade, sim, mas muito simples…
    Mesmo a acabar: não fazia a menor ideia que era amiga do Carvalho da Silva!…
    Só surpresas.
    E bem estranhas…

  8. Luciana diz:

    E eu perdendo tudo isso? Quem manda ficar doente e passar a tratar-me só com as recomendações de PMS…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Ainda bem que chegou, Luciana! É a principal testemunha da tremenda perfídia deste homem. Aposto que a sua gripe piorou só por causa do choque e do desgosto que teve ontem ao aperceber-se da sua (dele) maldade em toda a sua extensão!

      Vê António, vê o que fez? E agora, qual vai ser a desculpa?

  9. Joana Vasconcelos diz:

    António, António, é essa sua obstinada teimosia que o desgraça!

    Veja só por que lamentáveis caminhos o leva! De que ínfimos argumentos — à falta de melhores, claro — o faz lançar mão! Até eu, a quem você tanto desgostou e destratou, me sinto quase constrangida ao vê-lo, outrora garboso e fero dragão (às vezes até queridíssimo, mas tudo a fingir, claro), vir exibir agora caricas e a confessar uma confrangedora falta de pontaria na caça, para não falar já do recurso à estafada retórica futebolística. Ó valha-me Deus

    Vou já conferenciar com o Santo, a ver se ele lhe tira o teclado quanto antes, para o poupar a um tremendo embaraço, quando, muito em breve, estou certa, cair em si, dando-me inteira razão. No mínimo.

    • Orcama diz:

      Joana, Joana Vasconcelos,
      Veja lá o que fez…
      Já passaram duas horas, e do “nosso” António Eça, nada!!!
      Com certeza alguma das sua pembas surtiu efeito…
      Espero que tenha sido só, no máximo, a do desaparecimento do teclado…
      Afiguram-se necessárias urgentes medidas de contemporização, não acha?

  10. manuel s. fonseca diz:

    Joana, mas que valente Maria da Fonte me saiu. Carregue sobre o fero cospe fogo.
    Anthony, tem cuidado que cada Maria da Fonte esconde no quintal um forno de Aljubarrota.

  11. Joana Vasconcelos diz:

    Manuel, que surpresa tão boa! Já temos saudades! E veja só a falta que aqui nos faz: ainda mal tinha voltado costas e logo o fero draco começou a fazer das suas (dele, claro) …

    Luciana e Orcama, no stress. O António anda decerto afanosamente à procura das coisas que lhe começaram, conforme previsto, a desaparecer. Na melhor das hipóteses, do próprio teclado. Não se apoquentem, que se o mesmo (António, não o teclado, claro) persistir em continuar desaparecido, faz-se uma invocação do Santo e ele arranjará maneira de o fazer ressurgir!

  12. Arsénio Lobão diz:

    Não é por nada mas pelo cheiro das tintas parece-me que Drako prepara alguma…
    E não se preocupem que ele foi à gruta do Drako Rex analisar novos reforços.
    Ao que sei está muito contente.

  13. António Eça de Queiroz diz:

    Diachos! A gravata desmascarou-me…
    Depois da janta farei estrondosa aparição, e com vários ‘gadjets’ supostamente surripiados pelo Santo.
    Como se ele fosse capaz de tamanha sapequisse!

  14. Luciana diz:

    Antonio, que uso preciso e apropriado de uma derivação de sapeca. Admiro-lhe o trato com as palavras (embora nem sempre o uso, que devo ficar do lado da minha amiga Joana).

  15. Joana Vasconcelos diz:

    É como dizem, entradas de leão, saídas de dragão …

    Depois de ter — em vão, é claro — tentado criar grande expectativa quanto ao seu retorno, o António tarda em sair da caverna, onde há horas permancece, supõe-se que ocupado em pinturas rupestres …

    Vai-se a ver e foi o Santo que o castigou, merecidamente e de moto próprio, ante o despautério de há pouco. Onde é que já se viu tamanha cúnfia, a mandar palpites sobre o que o Santo faria ou não? E, pior, a admitir implicitamente — ao negar que este lhe tenha surripiado os gadgets por não ser capaz de tamanha sapequice — que só por ser ele, AEQ, o Santo se coibiria, logo que em todos os outros casos, enfim … surripianço e sapequice. Ou seja, blasfémia!

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