Gangrena

Paul Chang, “5th light”, 2007

Afinal não acabou, não acaba nunca, nunca acabará.
Quando o DCIAP disse que o homem não estava envolvido e mais disse que o processo encerrou, à uma vieram os amigos do homem remexer na coisa para ajustar contas com exigências de pedidos de desculpa e à dobra vieram uns procuradores dizer que afinal foi mal fechado, que havia perguntas para responder que não foram sequer postas.
E tudo isto não para de jorrar na “comunicação social” que só está a fazer o seu trabalho, diz ela, quando dá voz ao primeiro que se quer fazer ouvir, sem verificação nem exame daquilo que diz.
E é só para dizer que quando isto nunca se dá por acabado, impressiona não verem que vão cada vez mais deslizando para um fundo muito negro, justiça, investigadores, jornalistas, todos escorrendo devagar mas irreversivelmente para um charco chamado descrédito, descrença, desonra, virando contra si e contra cada um a desconfiança permanente a que se devotaram.
Isto nunca acaba, não acabará nunca. Mas irá acabar tão mal, tão mal, que nenhuma razão ficará de pé, ninguém ficará incólume. E é de ficar aterrado.

Comentários a “Gangrena” (1)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Absolutamente inacreditável, o que se está a passar.
    Estamos sós (aliás vou escrever algo sobre isso, boa ideia que me deu, José Navarro.

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