Da grandeza ibérica…

Concordia liberi arbitrii cum gratiae donis…

Num livro que, por razões que agora não interessam, tenho vindo a estudar com algum cuidado, intitulado Concórdia do livre arbítrio com os dons da graça, divina presciência, providência, predestinação e reprovação, a partir de alguns artigos da primeira parte da «Suma teológica» de São Tomás, publicado pelo jesuíta Luís de Molina, em Lisboa, no ano de 1588, podem ler-se, na pág. 6, os vários títulos de D. Filipe II de Espanha (I de Portugal), por ocasião da concessão do privilégio real para a publicação da obra.

Por não se conseguir ler muito bem, aqui reproduzo os ditos títulos inscritos na página da direita. Diz assim: «Dom Filipe, pela graça de Deus Rei de Castela, de Aragão, de Leão, das duas Sicílias, de Jerusalém, de Portugal, da Hungria, da Dalmácia, da Croácia, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, das Maiorcas, de Sevilha, da Sardenha, de Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Haia, dos Algarves, de Aljeciras, de Gibraltar, das ilhas Canárias, das Índias Orientais e Ocidentais, das ilhas e terras firmes do mar Oceano, Arquiduque da Áustria, Duque de Borgonha, de Brabante, de Milão, de Atenas e da Terra Nova, Conde de Habsburgo, da Flandres, do Tirol, de Barcelona, do Rossilhão e da Sardenha, Marquês de Oristan e Conde de Sociano…» E continua com outros assuntos.

Ora, mesmo sabendo que Portugal (que aqui inclui os Algarves, as Índias Orientais e grande parte das ilhas e terras firmes do mar Oceano) não faria muito mais tempo desta união ibérica, mas lembrando, também, que este mesmo Filipe já não herdara de seu pai, o imperador Carlos V, as possessões e títulos alemães (que este transferiu, conjuntamente com a eleição imperial, para o seu irmão Fernando), ficamos com alguma ideia da grandeza desta nossa península, não há muitos anos atrás. O facto é que os espanhóis andam lembrados dela. Nós, no entanto, parece que não.*

* Escrevi este post no dia 25 de Julho, dia em que nasceu o nosso primeiro rei, Afonso Henriques. Problemas informáticos, porém, fizeram com que só conseguise publicá-lo hoje, dia 26. Será isto fruto, uma vez mais, do atraso estrutural de Portugal!?

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