Também eu quero entrar na conversa sobre os cemitérios preferidos. Os de Paris são marcos, mas já deles falaram. Primeiro, no entanto, falo daqueles de que não gosto. Salvo raras excepções, sobretudo entre os mais antigos, os cemitérios em Portugal são hediondos. Eu tenho alguma experiência em exéquias fúnebres, já que um dos ramos da minha família quase que desapareceu em meia-dúzia de anos, sendo que por isso acho ter alguma autoridade no que respeita à apreciação estética da coisa.

Mármore e flores de plástico — especialmente ao ar livre, onde o primeiro dura séculos e as segundas dias — há que dizer, não combinam. Depois há os jazigos, essas casinhotas onde se podem coleccionar caixões, que por mais dez ou vinte mil euros que custem, não deixam de ser casinhotas onde se coleccionam caixões. E quando são rematados com uma porta de alumínio envidraçada, só fica a faltar adornar com aquelas cortinas espanta-moscas de miçangas à moda do talho. Há, ainda, o problema de se dar rédea solta à imaginação das pessoas que, é sabido, em momentos de dor não estão na posse das suas plenas faculdades e só assim se explica o facto de marcarem as campas dos seus entes queridos para a eternidade com tamanho mau gosto. E já nem falo dos caixões; tomem nota da simplicidade do do papa João Paulo II.

Por fim, a cremação, no nosso país, só resulta em poupar um bocadinho de espaço. Por lei não se pode levar as cinzas para casa, deitá-las ao vento, ao mar, ou noutro qualquer lugar igualmente poético. Não, têm de ficar guardadas, numa urna, numa gaveta, onde? Naqueles cemitérios hediondos.
Entram os americanos. Se há coisa onde deixaram marca e estilo, em grande parte fruto da sua virilidade como nação militarista, é os campos e campos de tombados na guerra. A beleza dos locais, a simplicidade das campas, o cuidado no arranjo, o relvado impecável e a força assombrosa da simetria aliada aos pesados números tornam estes cemitérios os mais bonitos que conheço.

Em cima, o famoso Arlington National Cemetery, e em baixo, em Colleville-sur-mer, na Normandia, junto ao mar, o cemitério das forças americanas mortas na libertação de França, na Segunda Guerra Mundial.

Mas não é só nos cemitérios militares que os americanos se esmeram. Aqui nas redondezas de Boston fica o Mount Auburn Cemetery, um magnífico espaço pela sua beleza natural, pintado de branco no inverno, colorido de radiante verde no verão, ao qual se seguem os maravilhosos tons outonais da Nova Inglaterra. É um encanto passear em Mount Auburn.


















Francisco, descobri algumas similaridades em nosso passado familiar. Posso também afirmar que tenho muita intimidade com o tema, embora não seja o assunto que eu mais goste de desenvolver.
Mas ri sozinha com as flores de plástico, essa é batalha bem difícil de vencer.Elas são detestáteis, principalmente depois de muitos dias de chuva e sol. Por sorte, minhas experiências foram com cemitério parques, mas as pessoas não fazem idéia das lembranças que são depositadas sobre a grama como forma de recordação.E olha que as proibições são contratuais e a vigilância intensa.Mas falta muito para que os nossos cemitérios fiquem impecáveis como o de Arlington. O Mount Auburn eu não conheço, mas os americanos são mesmo bons nisso.Tanto que muito congressos sobre o tema acontecem lá.
E falando em momentos de dor, acho que são nos cemitérios que vemos as mais diferentes demonstrações.Mas isso é conversa que dá um livro inteiro.
Pelo menos aqui no Brasil é permitido levar as cinzas para casa, mas não é ainda uma prática muito comum.Eu já fiz minha opção.
Gosto deste cemitério na Normandia, que me aparece sempre limpo, fresco e luminoso. Um simpático lugar para morar, com bons ares…
Afigura-se-me subordinado ao lema “todos diferentes, todos iguais”. Lá repousa, entre eles, o irrequieto e irreverente George S. Patton Jr., general de ***/****/***, que, comandando muitos deles, para ali os enviou…
Corrijo:
Afinal, Patton ficou-se pelo cemitério de Hamm, no Luxemburgo. Também são todos tão parecidos…
Gosto particularmente do de Mount Auburn, como se fosse habitantes da floresta.
Em Portugal não sei se há cemitérios bonitos — mas há alguns bem estranhos. Hei de trazer um aqui, que conheço bem: uma boa parte dos seus ‘habitantes’ são alemães, e, obviamente, pulula de plásticas rosas e etilénicos lírios.
Somos uma empresa vocacionada para a Arquitectura Cemiterial, estamos numa fase de reestruturação e pensamos vir a crescer para o Brasil e Angola.
Apresentamos mais uns exemplos: arquitecturadecemiterios.blogspot.com
Bem haja ao seu site
Carlos fazenda