
Tenho uma casa em Tortilla Flat. Recomendou-ma um bom amigo. É uma casa feita de vinho bom, do barato e roubado. É uma casa feita para incondicionais amizades. É uma casa feita para arder que é o destino natural de todas as casas que se querem duradouras.
Vão visitá-la. Leiam-na, releiam-na. De um fôlego. Num dia cinzento. Perguntem por Jesus, pelo Pirata e se alguém lá no bairro quiser saber ao que vão, digam que vos falou dela o meu amigo. Verão que não há tristeza que lhe resista e que Steinbeck nunca mais escreveu nada tão divertido.

















Foi com o delicioso Tortilla Flat que iniciei — da melhor maneira — a minha detox pós-entrega da tese. Depois de meses e meses e meses de áridas leituras jurídicas, este livro soube-me pela vida. Li-o muito devagar, muito mais que me é habitual, não porque estivesse cansada (que estava) mas porque constantemente voltava atrás para reler passagens absolutamente hilariantes ou muitíssimo tocantes. O Steinbeck que, confesso, não me encantava por aí além, tem um lugar no céu só por ter escrito este livro. E o nosso MSF também, por mo ter vivamente sugerido num destes nossos serões de chat.
Joana e Pedro, que tal formarmos o clube de boémios devotos de Tortilla Flat?
Eu gostei muito de Tortilla Flat que li (como o Pedro) todinho numa noite de Natal. Mas agora, pela forma como percebi que os dois, meus irmãos leitores, gostaram, ainda gosto mais, muito mais.
Posso solicitar minha inscrição no clube? Lido em um fôlego, por tanto e tanto tempo desejei uma casa como a de danny… “uma unidade cujas partes são homens, uma unidade donde emanava a ternura, a alegria, a filantropia e, no fim, uma tristeza mística”.
Boa! O nosso clube já tem quatro habitantes. O Manuel, bem entendido, é o Danny porque primeiro nos convidou. Eu posso ir roubar o vinho. Não me atrevo a sugerir nenhum personagem feminino à Joana nem à Luciana. Mas as meninas é que sabem…