Somos o que lemos? Or else?

Gostei muito da questão que o Manuel aqui nos deixou, junto com um belíssimo texto sobre os livros que nele fizeram a diferença, porque os leu e por quando os leu, ou porque os não leu quando porventura deveria tê-lo feito.  

A verdade é que a questão me interpelou, mas num outro plano. Quanto mais procurava relembrar em que medida o que lera (ou não) me tornara naquilo que fui e sou, mais claro me surgia que, above all, quando lia, lia aquilo que era e o que não era. Eu explico. O turbilhão de memórias que aquele post reavivou saía directo das páginas dos livros que marcaram a minha infância e adolescência. Mas referia-se sobretudo às minhas heroínas – as personagens femininas que me encantavam e nas quais eu me revia. Porque sentia que era muito assim. Ou que gostava de ser. E também às outras, as que me irritavam e desagradavam. Mas que – há sempre que ver a coisa pela positiva – me mostravam com toda a clareza aquilo que eu não era, que eu de modo algum queria ou iria ser.

Não sei se esta abordagem responde ao desafio que me foi aqui lançado. Suspeito haver uma forte probabilidade de vir a ser desclassificada. Mas está-me mesmo, mesmo a apetecer escrever sobre isto, pelo que vou arriscar. Ó se vou.

Para tornar o texto menos mortalmente longo e pesado, optei por dividi-lo em duas partes, que se seguem de imediato – começo pelas exasperantes e incompreensíveis personagens e termino, como nas bodas de Caná (Jo, 2, 1–11), com as estimáveis e admiráveis heroínas.

Comentários a “Somos o que lemos? Or else?” (1)

  1. Luciana diz:

    Oh, Joana, estou aguardando ansiosa as estimáveis heroínas…

Comentar