Queiroz ao telefone com Mourinho

 

Reacção de Mourinho para todos os que queiram futebol de ataque contra a Espanha

Um mito começa a ganhar forma na África do Sul. O de que José Mourinho — ele mesmo, o special one – está em comunicação permanente com Carlos Queiroz. Segundo consta, é ele que, entre dois banhos nos seus areais de Ferragudo, dá a táctica, decide quem joga a defesa-direito, trinco ou ponta de lança, manda a equipa abrir ou fechar, jogar em 4×3×3 ou em losango. E, claro, não se coíbe de gritar ao ouvido do Professor o timing certo para pôr em prática a revolucionária estratégia do Inter em Nou Camp, ou seja, qual o momento certo, durante um jogo de grande assédio, para Ronaldo, Tiago, Meireles e Simão devolverem a bola ao adversário, para não correr o risco de “desposicionar” a equipa (parece que só o melhor lateral-esquerdo do Mundial, Fábio Coentrão de seu nome, tem ordens para desobedecer à ordem). Claro que, para não deixar à vista o estatuto de fantoche de Queiroz, Mou tem de lhe conceder alguma liberdade. Pelo menos permitir-lhe a marca de autor de qualquer treinador que se preze, a chamada “invenção”, ou que traduzido para português é capaz de dar qualquer coisa como Ricardo Costa. Nada de grave desde que a aventura tenha lugar em jogo de diminuto risco. E desde que, quando é a sério, Mourinho reassuma as rédeas.

Hoje, às 19.30 portuguesas, estou certo que Queiroz saberá interpretar convenientemente todas as mensagens que Mourinho lhe fará chegar nos 90 minutos que se seguirem. E que não se deixará levar pelas exigências de futebol artístico que lhe fará uma boa parte dos treinadores de bancada da nação. Que venha o futebol feio e duro, que, quer se queira quer não, é comum a todas as equipas que, depois do fabuloso Mundial de 82 e com a honrosa excepção da elegante França de 98, levantaram a Taça. Que venham onze jogadores atrás da linha da bola que se limitem a não deixar jogar os espanhóis e a não desperdiçar a única oportunidade de que disponham para bater Casillas. E que não me venham, por favor, com histórias de que não estamos a jogar nada porque não chegamos a 40% de posse de bola.

Ao fim de quase 20 anos de futebol sénior, e com ou sem Mourinho a soprar-lhe ao ouvido, parece que o impossível aconteceu: que Queiroz sabe o que quer e como lá chegar. O problema é que bastará uma pequena distracção na disciplina tão pouca lusa para tudo se desmoronar. Esperemos que não se distraiam e que alguém faça de Nuno Gomes. Eu, que pouco acreditava antes do Mundial, agora até acredito.

Comentários a “Queiroz ao telefone com Mourinho” (2)

  1. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Diogo, eu também não gosto do Queiroz. Acho-o chocho. Mas tenho que reconhecer que nos pôs nos oitavos de final. E o mérito é sobretudo dele. E daqui para a frente ganhar ou perder é desporto.

  2. António Eça de Queiroz diz:

    Subscrevo tudo e todos.
    Comemo-los quando adormecerem!

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