Pazes, caro Francisco?

Ouso, para fazer uma desagradável precisão, intrometer aqui um post que, em bom rigor, devia ter a forma de comentário: Francisco da Cunha Leal, bisavô que o Francisco tão generosamente aqui homenageia, não apenas se “desentendeu” com Norton de Matos, meu tio-bisavô. Os homens, senhores dos seus respectivos narizes, camaradas de armas, políticos, ministros, amantes de Angola, odiavam-se, e estou a ser brando, com todas as forças do Mundo!


Calígula em Angola, por Francisco da Cunha leal



Mas descansem que não quero aqui reeditar, com cem anos de atraso, uma contenda que inflamou o país político e de que as nossas famílias terão guardado, imagino, recordações opostas. Muito pelo contrário. Sublinho a espantosa coincidência para propor ao Francisco tréguas imediatas, incondicionais e sobretudo retroactivas. Que se danem as razões de Francisco e de José! Pazes? Cem anos não são já anos de sobra para uma zaragata?

Comentários a “Pazes, caro Francisco?” (13)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Pedro, o desenho é bem divertido. O meu avô Carlos Selvagem andava por lá nessa altura, como governador de Moçâmedes, mas não sei se se conheceram.

    • Não sei se é o mesmo Carlos Selvagem que o meu bisavô tentou convencer, com o Humberto de Ataíde, a ir lutar para a Turquia, como vem na história que cito…

      Mas de qualquer maneira, o Cunha Leal depois veio a trabalhar na construção do Caminho de Ferro de Moçâmedes, da Humbia, em direcção ao Lubango, é muito provável que sim. Mais ainda, conta que na altura, antes do caminho de Ferro, era a numa estrada de emergência improvisada que os «camiões Fiat, herdeiros da expedição de Pereira da Eça, subtituíam agora os carregadores indígenas» para abastecer o planalto.

  2. Pedro Norton diz:

    Estou a ver que as nossas familias desembocaram todas neste cemitério! Vou ver se descubro alguma coisa.

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Pedro e António, que belos passados colonialistas.
    Lembro-me muito bem:
    1. Da estátua de Norton de Matos em Nova Lisboa, não só por lá ter ociosamente passado com Mr. Orcama para ver as famosas 6 Horas do Huambo, como depois, em convívio quase diário nos tempos de Escola de Aplicação Militar de Angola que me apurou para aspirante atirador, habilitado a defender a pátria a ferro e fogo. (Tomaram muitos a começar por mim, eu, eu próprio!)
    2. De falar, e sabe Deus porquê, aos meus alunos do liceu do Lobito, nas aulas de Literatura Portuguesa de Henrique Galvão (e não sei a que propósito deste teu avô). Eram os textos sobre a fauna africana ou só a Monografia que juntos escreveram sobre o Império Ultramarino Português’?
    3. Pedro veja lá se descobre antepassado mais recente com passagem pelo Império, caso contrário fica a perder. Acabei de ler (folhear e ver fotografias) um livro do pai do nosso Eça que se chama Seara dos tempos e que é uma visita fantástica a Angola. Um bom livro, ainda por cima. O nosso Eça não aparece nas fotos, mas o pai sim, com garbo e muito estilo, além das maninhas que são lindas.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Ondjiva, Manuel, é hoje a antiga General Pereira d’Eça, que era primo do meu bisavô.
    O livro do Galvão e do CS foi a monografia sobre o Império Ultramarino.
    Pedro, não ligue ao ‘picanço’ do MSF. E quem sabe se o general Norton de Matos não tinha razão?…
    Manuel, fico muito contente por teres gostado do livro do meu pai. Bem que me custou perdoar-lhe não me ter levado nessa…

  5. Pazes com certeza! Eu, obviamente, ouvi só um lado da história, e embora não seja portador do gene, conheci de perto os Cunha Leais quando lhes ferve o sangue. Confesso que não li nem o “Calígula em Angola”, cuja capa, se não me engano é do Almada, nem o “A província de Angola” do seu tio-bisavô, que temos lá em casa.

    Confesso, também, que já tinha pensado no assunto; não há assim tantos Nortons. Mais, é provável que o círculo se feche, pelo meu outro lado: há uma estátua do António Feijó em Ponte de Lima.

  6. António Eça de Queiroz diz:

    Que curioso, Francisco, conheço os Feijós todos do Porto, que são parentes do António Feijó — acho que netos — e também um Norton Camarinha, esse de Ponte de Lima.
    Aliás tenho vários amigos e conhecidos em Ponte de Lima, que é uma terra que eu gosto imenso e visito com regularidade.

  7. António Eça de Queiroz diz:

    E já agora, Francisco, só podia ser esse «Selvagem», que era um nome de guerra e artísitico — porque ele também escreveu, principalmente para teatro.

  8. José Navarro de Andrade diz:

    Capuletos e Montague? Feudos sicilianos, que duram séculos de sangue derramado? Nada, eles fazem as pazes antes de terem feita a guerra. Também a coisa passou-se lá nos fundões da terra das sezões — nunca de lá veio coisa boa. Assim é que é rapazes.

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