Odeio domingos. Odeio. Os domingos são menos maus quando há John Le Carré para ler. Hoje não havia: às vezes os personagens desaparecem, não se deixam encontrar porque se fizeram carne e osso. Fazem-me falta. Jim Prideux. Gosto tanto da qualidade silenciosa de Jim Prideaux, da solidão atenta como a de todos os que são alvo de dois tiros de origem insuspeita que alteram tudo o que é rotina de sentir e pensar, sem alterar nada do que é a própria natureza — só mais funda rumo ao sem fim. Há gente que é jim, pessoas cujo coração é uma cápsula incorruptível de ser, mesmo quando o chão cede. Gosto tanto. Não havia. Pensei: vou fazer uma bola – já sei, já sei.. era mais bonito, num post, dizer: pensei, vou fazer um soufflé.. azarucho, era mesmo uma bola de carne que é uma perdição. Mas como não é o género da coisa que se congele e não tinha quem a comesse, decidi fazer pão. Conheço-me mal. A Bertha Rosa-Limpo conhece-me melhor: fiz sericaia. Todavia não a sirvo com ameixas. Sejam elas de onde forem. Com leite fresco, quase gelado. Está feita. Tem fome ou é muito tarde para lanchar?


















Sericaia?
Há uma amiga comum, minha e de Manuel “Sericaia? não sei” Fonseca que se souber onde mora, lhe cairá aí certamente, mesmo sem a conhecer. Já agora, vou também…
É um doce fácil de fazer, Orcama, e daqueles que sai sempre bem como a mousse de chocolate.
SERICAIA? Ainda por cima sem as prescindíveis e pegajosas ameixas!!! YESSSS!!!
E, Eugénia, qualquer hora é boa para comer sericaia - da última vez que estive na Pousada de Elvas descobri várias na mesa do pequeno-almoço, pelo que despachei basicamente metade de uma, daquelas grandes, perante o olhar constrangido e crítico das minhas três bárbaras descendentes que, por detrás de uma montanha de ovos mexidos, salsichas e sabe Deus mais o quê me rosnavam “a Mãe acha normal estar a comer isso a esta hora?”…
Sericaia? Valei-me São Google, padroeiro das brasileiras desconhecedoras das gostosuras da vida…
Luciana, acredite no que lhe vou dizer: o Pantagruel é um artigo de primeira necessidade.
Eugénia, jamais me passaria pela cabeça duvidar do que quer que seja que você dissesse (a não ser, evidentemente, que você assim o indicasse..). O que me preocupa é: minha mala caberá tantos livros que vou aí comprar? Acho que pagarei excesso de bagagem…
Eu fui colega de um Rosa Limpo e, imagine onde: em Tomar…
E eu que vivi em Tomar, não conheci nenhum Rosa-Limpo..
Imagino. Só lá estudou. E noutro tempo. Recordei-o por causa das gostosas e pantagruélicas encomendas semanais que recebia da família, e que nem sempre repartia connosco.
Quando o conhecer, digo-lhe logo: você é um feio, o Orcama contou-me tudo!
Felizmente que desgosta das ameixas! Nunca percebi o maluquedo pelas ameixas.. Isso é um delícia com leite fresco. E, apesar de doce, leve. A descendência nunca provou?
Ah…passei alguns felizes domingos em companhia de John Le Carre…já a sericaia nunca provei. Vou me arriscar uma dia à prepará-la por aqui (tem a receita no site do Mais Você).Se não der certo, deixo para experimentá-la em terras lusitanas, sem leite, por favor!
Eu corto a receita no açúcar, não gosto doce demais, estraga-a.
Bom saber, porque não gosto de doce muito doce :o)