A Alice, que já vos apresentei, pediu-me uma lista. E publicou-a nestas duas páginas muito bem arranjadinhas. Deixo-a aqui como desafio aos autores deste cemitério, com aviso formal ao Pedro Marta Santos de que levarei a peito, mesmo a mal, se ele não publicar já uma com o dobro das entradas e o triplo da ousadia.
Lista dos homens que gostava que fossem meus irmãos… e das mulheres que nunca Deus permita tal coisa
Dava-me jeito o Bogart como irmão mais velho: hey kid, não tens idade para whisky, mas ensino-te a pescar e a way with girls.
Não me dava jeito nenhum a Bacall como sister mesmo in-law. Nem mesmo em pensamento gostava de sentir coisas que fizessem o meu irmão mais velho corar como um tomate.
O Clooney sim: maninho, o que poupava em café. Ainda melhor, o Rui Nabeiro, que o Delta é o melhor café do mundo.
Dos pais da Keira Knightley nem filho adoptivo aceitava ser. Visita da casa, sim, a roçar-me pelas paredes, torpe, voyeur, na eterna esperança de que pelo menos um daqueles ínvios olhares do “Atonement” se estampasse nos meus olhos.
Escolhia Allan Bloom, professor meu irmão, homossexual as they say, para me educar em Shakespeare, nos dead white male, na beleza do amor hetero, da courtship, do casamento e do compromisso, revolucionário na vida, conservador na cultura. (Com a vantagem de vir lá a casa, de vez em quando, o Saul Bellow.)
Ó, o que eu acredito em temperamentos religiosos. Pela Christina Rossetti, minha prima pré-rafaelita, rejeitava o conforto agnóstico, teria sido devoto High Anglican, e saberia que My heart is gladder than all these / Because my love is come to me.
Andaria, andei pelas ruas de Louisville de mão dada contigo, Cassius Clay, my brother, e aprendi a mexer os pés como um bailarino, a assustar os fortes, o desdém dos camiões de músculos.
Irmã coisa nenhuma: sonho-te minha vizinha do lado. Virgem de brincar aos enfermeiros, quando tivemos, Winona e eu, a idade da inocência.
Nem que fosse só meio-irmão, queria ser, de John Fitzgerald. Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu país. Também para ter a Marilyn na festa de anos.
Da Jean Seberg irmão é que não. Sonhei que esbarrava nela, em St. Germain (caíste?), e um quarto esconso, dégueulasse, rue du Bac.
Teria muito orgulho na tua voz profunda, sonora, Lord Jim, senhor, meu irmão. Talvez me tivesses deixado ir ter contigo ao Oriente para conhecer, como tu, a “mágica monotonia da existência entre céu e água”.
Angelina Jolie, querida irmã, totem ou tabu?

olá vizinha

















David Attenborough.
É seu irmão, ou não o queria como, Blonde?
É guru. Mas podia ser qualquer outra coisa menos pai (pois… irmão também não). É pancada mesmo.
Que idéia mais sapeca! Fiquei toda serelepe e comecei imediatamente a fazer a minha mentalmente. Mas como é extensa! Cansei-me. Não me canso é de Alice.
Sapeca e serelepe, qualificativos cujos campos semânticos julgo adivinhar, não podem cansar ninguém. Mande lá a sua lista, Luciana.
Serão duas, as listas, as irmãs escolhi num soluço, e já lá estão: http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2010/06/lista-das-mulheres-que-gostaria-que.html
…a outra precisa de mais reflexão. Mas virá.
A Luciana antecipou-se a todos os autores do cemitério e já publicou aqui meia-lista. Não vale! ou tudo ou nada.
Ou tudo ou nada (the full monty) é o nome do filme do strip tease masculino aqui no Brasil…gostei tanto! Eu precisava de muito, mas muito mais tempo, pra ter certeza das escolhas e sei bem que amanhã acordo com idéias inesquecíveis que esqueci. Mas entre tudo ou nada sempre prefiro os dois.
Então, Manuel, aí está o resto da lista:
http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2010/06/lista-das-mulheres-que-gostaria-que_23.html
Luciana, que maravilha, esta sua primeira meia lista! Concordo com todas as suas escolhas e com todas as suas razões.
Achei uma delícia “Capitu, porque sim”! Li pela primeira vez o D. Casmurro na cadeira de português, devia ter uns 17–18 anos. A professora pôs-nos a debater se Capitu era inocente ou culpada … A discussão começou animada e quase ficou brava, ninguém convenceu ninguém, claro, mas ainda hoje me lembro …
Não sei bem como agradecer a tão gentil e tocante parte final … talvez dizendo, muito sentida e redundantemente que o sentimento é mútuo … :)
(Tentei colocar este comentário no BORBOLETAS, mas não tenho a certeza de ter conseguido, por isso duplico aqui …)
Está lá sim, minha cara Joana, mas fico ainda mais contente de encontrar o comentário novamente…tal como lá, digo aqui:
Joana, gosto tanto de não saber as razões e sim senti-las. Como querer bem a alguém, depois de querer é que vou descobrindo os motivos tantos pra isso. Por exemplo, gosto de você pela gentileza com que me visita aqui.
Óptimo! Finalmente consegui — ando nisto há que tempos, mas sem sucesso!!!
Agora quanto ao resto da sua lista, que então já lá deve estar, e continuando a abusar da hospitalidade do Manuel, duplico, com bolds e itálicos a gusto:
Luciana, adorei! Que fantásticos, o texto inicial, as sete maravilhas seleccionadas e os motivos de cada escolha – se bem que qualquer um deles dispensasse qualquer explicação….
Durante a tarde, enquanto trabalhava, fui pensando na minha. Ainda está um caos, mas é, há-de ser, diferente … lembrei-me do Chico Buarque. E também do Sidney Poitier, se bem que por estes lados, o Denzel Washingrton esteja bem mais cotado … :)
Olá Manuel, que extraordinária sintonia, digo eu, entre esta sua proposta e o revisiting post do Vasco … Mas têm mesmo de ser irmãos e irmãs? Naõ podem ser, vá, tios?
Bom dia Joana, long time…
Já conhece a minha lendária inflexibilidade. Ou manos e maninhas ou nada. Quais tios?! nem pensar. Fico à espera de confissões arrepiantes.
“Irmã coisa nenhuma: sonho-te minha vizinha do lado. Virgem de brincar aos enfermeiros, quando tivemos, Winona e eu, a idade da inocência.”
Irmã, só num mundo de incesto livre e natural, até o nome emana paixão.
Estimulada por luciana, a primeira parte da minha lista (se é que pode ser chamada assim) já está pronta e postada.
e que lugar agradavel este, n?
visitarei sempre.
Abraços carinhosos a todos.
S. as visitas desse lado do Atlântico, a começar nas da Luciana, são bem vindas (ainda por cima agora, em fase de intensa competição futebolística, pois claro). Ainda bem que gostou: esperamos não a fazer “mudar de sentimentos”. Sinta-se acarinhada por estes terríveis mortos.
Como ando devagar mas sempre, nem tudo nem nada. Só um pouco. Por enquanto… beijinhos doces.
Boa lista! Gostei tudo dela.
Manuel, que divinas listas tenho lido por aqui.Mesmo não tendo tanta capacidade assim para abstrair , eu tentei:
http://cartadetarot.blogspot.com/2010/06/ideia-surgiu-com-o-manoel-do-blog-etgm.html