
Hoje não devia ter saído da cama.
Como é que alguém que assinou, nos últimos dez anos, alguns dos melhores filmes do cinema americano deste século (e do outro) deixa que o pé lhe fuja para a chinela num exercício tão estridentemente fracassado como é Invictus? Como é que alguém que falou do ressentimento com a violência mais ternurenta que já me foi dada a ver (Gran Torino), que filmou a ambiguidade e a dúvida com uma surpreendente força dramática (Mystic River), que deu um corpo tão real à angustia que é sempre o estertor de qualquer sistema de valores (Letters From Iwo Jima), se perde pelos caminhos ululantes do óbvio num filme sem qualquer sofisticação narrativa e que tem como único ponto “alto” as interpretações chatas, muito chatas, de tão certinhas de Morgan Freeman e Matt Damon?
Suponho que toda a gente tenha direito a ter o seu dia não.

















Eu penso que todo diretor tenha o seu melhor e pior filme. Porque o bom resultado depende de muitos fatores.Eu, muito particularmente não gosto do Matt Damon. E sobre Mandela já assisti um filme que me satisfez: Luta Pela Liberdade (Goodbye Bafana, 2007) e de Eastwood, o melhor para mim ainda é o Cartas de Iwo Jima.
Pedro, por mais genial que o realizador seja, se nos habitua a dois filmes por ano como o Eastwood, é natural que descambe uma vez ou outra. Já antes de Invictus, Clint tinha sido capaz, num curto espaço de tempo, do seu pior em muitos anos (Flags of Our Fathers) e daquela que é a sua obra-prima absoluta, Cartas de Iwo Jima.