Eh touro lindo!

A minha irmã e o meu cunhado vieram jantar. Trouxeram o filho de ambos, o meu sobrinho. Findo o jantar, já para o tardinho em relógio de baby, ligo a televisão.
Eu para o meu sobrinho:
— vamos à corrida?
O meu sobrinho para mim:
— tim!
Eu para o meu sobrinho:
— está a ver que lindo?
O meu sobrinho para mim:
— é memé!
Eu para o meu sobrinho:
— qual memé?! Não é memé, é touro.
O meu sobrinho para mim:
— é va. Muuu.
Eu para o meu sobrinho:
— não é vaca. Faz muuu, mas é touro. Touro não é vaca.
O meu sobrinho para mim:
—  muuu.
Eu para o meu sobrinho:
— tou-ro, tou-ro, tou-ro..
O meu sobrinho para mim:
— muuu!
E Zás!, dá-me uma cabeçada na barriga, agarra-me à bruta e não larga.
Eu para a minha irmã:
— temos forcado!
A minha irmã para o marido:
— vamos embora.

Comentários a “Eh touro lindo!” (24)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    Lindo! O rapazinho promete! Não esmoreça, Tia Eugénia.

    Os meus dois sobrinhos, filhos do meu irmão, causaram quite a sensation este ano no regresso a Inglaterra e às aulas, vindos de umas animadíssimas férias com os outros avós, perto de Barrancos.

    Ao fim de dois ou três dias, a nobre arte do toureio não tinha segredos para os louros amiguinhos que, liderados pelos intrépidos pequenos aficionados, faziam pegas de caras, espetavam ferros, galopavam à volta do recreio, marravam e raspavam o chão and, explicou a estupefacta professora à minha cunhada, they actually kill the bull!!!, para além de dominarem todo um vasto léxico tauromáquico em português, a começar pelo clássico Eh touro lindo! Touro! Touro! Touro!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Qual esmorecer.. preparam-se grandes lides com o triciclo, Joana. E imagino o transe inglês com a afición taurina dos seus sobrinhos.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Estimada Eugénia, fazia lá eu ideia de que na Sardenha também havia touros! E não vai acreditar na coincidência, mas vim agora mesminho duma tourada no campo pequeno. Com cavaleiros portugueses e matadores espanhóis que aqui, em Portugal, ficam a chuchar no dedo. Pelo que li do seu post, digo-lhe já, o seu sobrinho não é forcado, é mesmo matador. (Não me atrevo a dizer que sai à tia, só porque a tia é santinha na Sardenha e na Sardenha nada de matanças!)
    E minha caríssima Joana, os seus sobrinhos deviam ter o prémio nobel de antropologia por levarem às bárbaras paragens do norte os tremendos rituais do sul. Eh toiro lindo!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Pois nós estávamos sentados na transmissão da mesma corrida! Ainda não tinha visto o filho do Paquirri.

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Cheira-me que se a Conchita Citron pudesse ler isto logo ficava com uma lágrima ao canto do olho.
    Eugénia, se já marra vai no bom caminho. Mas parece-me a pega um pouco traumatizante. Encaminhe-o, quando puder, para os cavalos!
    Joana, aos ingleses quem os toureia desde sempre — e desculpe a crueza — são as mulheres. Todo e qualquer inglês que se preze é dominado pela mulher. Se não fôr assim é porque é irlandês, ou escocês ou até galês. Ou arábico…

    • Joana Vasconcelos diz:

      António Benedito, mas que despropósito! As crianças têm 4 e 5 anos! Shame on you, you naughty, naughty boy!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Caro Antoine, estou em crer que La Diosa Rubia não teria lágrima fácil. Agora eu, estou chocada com o seu desamor forcado!

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Yeah!…

  5. José Navarro de Andrade diz:

    A sua irmão que não se preocupe, com o tempo o raapz mudará de posição e fica do lado dos bregadores e não dos bregados.

  6. Alberto Nogueira diz:

    Gostei particularmente da última linha do seu texto.

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Toma e embrulha, Alberto…
    Eugénia, nutro forte suspeita pela arte da pega. O meu irmão, que tem 1,97 de altura, quase partiu as pernas a pegar um garraio de caras. Passou-se para a cernelha mas, talvez marcado pela pega fatal, morreu para a arte.
    Sabe que conheci a Conchita? Ela era grande amiga do meu pai, e tinha um canil de cães d’água portugueses do melhor. Herdou-o do Vasco Bensaúde, que foi quem salvou a raça da extinção por mestiçagem.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Sei bem que foi criadora. Essa história com Vasco Bensaúde é famosa. É verdadeiro, aquilo do ofereço-lhe o cão se me sair a lotaria e a lotaria ter-lhe saído de facto?

      Sabe do que é que eu mais gostava nela — nunca a conheci — a lucidez crua. Perceber que o toureio a pé e bem cavalgar são fundamentais para fazer um bom cavaleiro. E um fogo dentro. Pelo menos, e talvez porque nunca a conheci, parecia-me assim. Tenho horror a conhecer gente que admiro de pequena, tenho medo que encolham.

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Em relação ao meu irmão tem toda a razão. E ele também, porque não é forcado. Digamos que experimentou e não gostou…
    Quanto ao Leão, que era avô (acho eu) da Spada Algarbiorum, ouvi contar a mesma história, agora se foi verdade ou não…
    Era uma senhora interessantíssima, Eugénia! Cheia de raça e com um olhar vigoroso mas agradável, simpático.
    Esta tinha gostado de a conhecer.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Percebi que o seu irmão não era forcado, que tinha sido uma experiência desgostada — e arriscada, acho, com a altura toda que tem. O que não percebo é sua a fotografia, que já tardava. Está de hábito como o seu santo homónimo? Vê-se malinho..

  9. António Eça de Queiroz diz:

    Eugénia, esta é a minha foto oficial de agente da POCS (Poder Oculto Contra Sócrates). Como convém a um agente da Poder Oculto, uso bordão de aveleira mágica e capuz de bruxo. Já cá tínhamos a Bruxa da Areosa, agora há também o Bruxo das Antas.
    Ora o bordão é um elemento que tem de aparecer nas fotos mais oficiais, e esta é…

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Agora com capa…

  11. António Eça de Queiroz diz:

    Falta qualquer coisa??!!!!|
    É só desfeitas…

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