
H.C. Andersen olhando com orgulho para o Tivoli
Já imaginaram um parque de diversões como espaço cultural de referência de uma capital europeia? Só a ideia é suficiente para provocar náuseas à nossa esquerda caviar. E de provocar gargalhadas na direita conservadora cá do burgo, para a qual cultura só rima com património. Admitir que o chamado entretenimento fácil, ou a cultura de massas, pode conviver e mesmo potenciar o acesso à pomposamente denominada alta cultura ou cultura cultivada, só pode ser brincadeira. Mas a verdade é que pode não o ser. Se os milhares de crianças que visitam diariamente o parque de diversões, num momento de pausa entre uma montanha russa e um comboio fantasma, se deixarem hipnotizar por um concerto promenade, um espectáculo de pantomima ou de bailado, ou pela representação teatral de um conto do Hans Christian Andersen, a questão pode ser mesmo muita séria. Sobretudo se for transportada para um país – adivinhem qual — em que teima em não existir, no ensino primário e secundário, um programa de educação artística das crianças que a não conseguem ter em casa, só porque, como qualquer reforma profunda, o mesmo custa dinheiro e não dá votos a curto prazo. E se a “feira popular” que é, ao mesmo tempo, país das maravilhas e centro cultural, albergar, ainda, um jardim botânico e alguns dos melhores restaurantes da cidade, o milagre está cumprido. E se vos disser ainda que o talhão de terreno onde tudo isto acontece se situa bem no coração da cidade, e ai de qualquer especulador imobiliário que se atreva a disputá-lo, logo verão que não é do Parque Mayer que vos estou a falar. Podia ser mas não é. É ao Tivoli que me refiro. Não o nosso – hélas uma vez mais – mas o (jardim do) Tivoli de Copenhaga, um dos ex-libris da cidade sem vergonha nenhuma.

















Foi há cerca de 60 anos que estive lá (no Tivoli de Copenhague) e fiquei tão estasiada que ainda hoje quando penso em … momentos felizes, revejo as luzes, o ballet, o lago, os restaurantes e tudo o que descreves.
Se hoje, vocês se estaziam com tais coisas, façam ideia o que terá sido para mim (uma Maria Papoila , saida das berças) e para mais outros quarenta e tantos estudantes na casa dos 20, 25 anos quando fomos aportando ali e a várias outras cidades europeias daquela época.
E eramos gente mu-i-i-inta fixe, convivendo durante quase um mês, dento de um autocarro a condizer com o estilo da época, sem complexos de esquerda nem de direita, nem se eramos católicos ou protestante ou outro qq credo.
Iamos, pura e simplesmente, com a firme ideia de nos divertirmos e aprender a ver o mundo com outro olhar e. para tal, não eram precisos adrenalina, nem drogas, nem sexo).
Perguntarás: então como é que nos divertiamos e eu não te sei explicar.
Gozávamos avidamente cada instante.
Cara Maria Amélia: fico mesmo muito contente de ter contribuído para reavivar memórias de 60 anos. Muito obrigado pelo seu comentário.
Confesso que passei de raspão no Tivoli — demasiado escandinavo para o meu gosto. Mas onde passei umas tardes muito divertidas com alguns amigos, Dinamarqueses e não só, foi na (um bocadinho menos) velhinha Christiania. Ainda lá está mas parece que recentemente andaram aos tiros lá dentro.
Também me lembro de um clube muito cool chamado Vega.
http://vega.dk/
Que pena não ter sabido antes do Vega, Vasco. Quanto a Christiania, é claro que lá estive e lhe dedicarei um post muito em breve.
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Diogo, esta descrição é deliciosa. Que sorte teres lá estado e seres capaz de apreciar tantos encantos tão distintos e diferentes. Obrigada. Conseguiste oferecer-me a vontade de um dia lá estar. Grande Beijinho Pat