An Deus sit? (V)

«A quarta via supõe-se a partir dos graus que descobrimos nas coisas. Com efeito, descobrimos nas coisas algo mais e menos bom, e verdadeiro, e nobre, e o mesmo em outras coisas do mesmo tipo. Mas mais e menos dizem-se de coisas diversas segundo diversamente se aproximam de algo que é máximo, tal como é mais quente aquilo que mais se aproxima do maximamente quente. Existe algo, portanto, que é veríssimo, e óptimo, e nobilíssimo, e, consequentemente, maximamente ente, porque as coisas que são maximamente verdadeiras são maximamente entes, como se diz no segundo livro da Metafísica [de Aristóteles]. Ora, aquilo que se diz de tal modo máximo em algum género é a causa de todas as coisas que são desse género, assim como o fogo, que é maximamente quente, é a causa de todas as coisas quentes, como naquele mesmo livro se diz. Existe algo, portanto, que é a causa do ser e da bondade e de todas as outras perfeições em todos os entes, e isto dizemos ser Deus.»(*)

(*) AQUINO, Tomás de, Summa Theologiae, prima pars, quaestio 2, articulus 3, respondeo.

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