«A terceira via supõe-se a partir do possível e do necessário, a qual é como segue. Apercebemo-nos, com efeito, que em certas coisas é possível existir e não existir, porque àquelas coisas a que acontece serem geradas e corrompidas, consequentemente, é possível existirem e não existirem. Ora, é impossível que todas as coisas que existem sejam deste modo, porque aquilo que é possível não existir em algum momento não existe. Se todas as coisas podem não existir, portanto, houve um tempo em que nenhuma coisa existia. Mas se isto é verdade, também agora nada existe, porque aquilo que não existe não começa a existir a não ser por meio de algo que existe. Se, portanto, não existiu nenhum ente, foi impossível que algum começasse a existir, de tal maneira que deste modo nenhum existiria, o que é evidentemente falso. Logo, nem todos os entes são [apenas] possíveis, mas é forçoso que nas coisas exista algo necessário. Mas tudo o que é necessário ou tem a causa da sua necessidade fora de si ou não a tem. Ora, não é possível proceder-se até ao infinito nas coisas necessárias que têm a causa da sua necessidade, da mesma maneira que também o não é nas causas eficientes, como acima se demonstrou. Logo, é forçoso admitir algo que seja por si mesmo necessário, que não tem a causa da sua necessidade fora de si, mas que é a causa da necessidade dos outros, o que todos dizem ser Deus.»(*)
(*) AQUINO, Tomás, Summa Theologiae, prima pars, quaestio 2, articulus 3, respondeo
















