A. de Adivinha


Mar de Outubro, 2007

“Sabes: só me apaixonei uma vez. Passou-se quando julguei as sereias apetitosas e querentes de vislumbres humanos — mas faltavam-me orifícios apropriados numa medida confortável de introspecção. Tal foi essa intensidade que me ajoelhei a pedir desculpa — no entanto possibilidades de entusiasmo quebravam-se no auscultar das marés redimindo-se para posses das minhas cápsulas de espuma. Às vezes, sentado na areia, evitava cromossomas aflitivos no revelar de perdigotos para apalpar linguados ao natural. — Alguns ciclóstomos punham-se em ventosas de ciúmes e riam-se quando lhes transmitia festas de cauda. Não acreditavam ser possível a construção de lampreias de ovos pelas pastelarias da baixa.”

Adivinha: quem é o mais injustiçado dos escritores portugueses?

Comentários a “A. de Adivinha” (31)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Não li tudo dele. Longe disso. Ainda. Mas lerei — nem que seja na A&A da Passos Manuel onde o vi da última vez: gosto-o, dilatou o português que pensamos porque inventou uma forma de dizer toda dele para nos apropriarmos melhor do pensamento. Se não fosse por isto gostava-o pelo humor. E porque teve a bondade de não ir assombrar o Vasco. E mais não digo.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Pedro, junte-lhe o Tomaz Figueiredo e tem o casal de injustiçados perfeito.

  3. José Navarro de Andrade diz:

    O A., deste lado e o Fonseca , do lado de lá, são os dois melhores Rubens do séc. XX. E faço muitíssimo minhas as palavras do Manuel.

    • Pedro Norton diz:

      Pois. Parece que outros Rubens terão existido antes do século XX. Mas não foram injustiçados nem tinham, que eu saiba, queda para a escrita.

  4. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Pedro. Essa é fácil. O mais injustiçado dos escritores portugueses sou eu. Agora o segundo mais injustiçado, que terá escrito este texto acima, francamente não sei quem é. Ou talvez saiba, mas desconhecendo-o na mesma. Poderá ser um senhor com nome de província espanhola que escreveu coisas ao fim da tarde e por amor se matou novo (como dizia o Rui Veloso)?

    • Pedro Norton diz:

      Morreu relativamente novo, é certo. Mas a menos que a Bairrada tenha sido anexada, não me parece que o nome esteja relacionado com qualquer provincia espanhola.

  5. Luciana diz:

    Sinto-me quase Hastings (mas se acertar serei Poirot), de discurso em discurso fui percorrendo uma trilha que me levou a um autor que nasceu no mesmo dia da cantora de jazz Peggy Lee, deu pra morrer quando nasci e que pôs o mundo à minha procura…é ele que devo ler?

    • Pedro Norton diz:

      Elementar minha cara Luciana! Leia e vai ver que não se arrepende. E comece precisamente por esse Mundo que a procura.

  6. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Luciana, o mundo é vasto e a procura quer-se demorada: bem vê, pede vagares onde, não só se possa perder, como queira perder-se. A menos que tenha uma cabeça, vá, de rapaz, comece quase pelo fim, exactamente como convém a quem um dia fez uma escrita de caranguejo: Silêncio para 4.

    • Pedro Norton diz:

      Luciana: está a ver como certas pessoas implicam comigo?

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        José Navarro! Quantas vezes é que tenho de lhe dizer: não implique com o PN que ele ainda está maçado com a barafunda que o Eliot Ness fez no Art Institute of Chicago quando o confundiu com o Al Capone.. quantas?!

        • Luciana diz:

          Pedro, Pedro, não reclames do Zé (está claro que não terias a audácia de reclamar da Eugénia, não é mesmo?).
          Quanto à minha cabeça, tenho pudor de confessar que às vezes é mesmo de rapaz — mas só quando se depara com bola de futebol ou faroestes. No mais, começo justamente onde termino e só me acho se estou perdida, então lá vou atrás do Silêncio para 4.

          • Orcama diz:

            Isso, isso, encostada à barbela da torre, que essa conheço eu, e fico-me por aí.
            Uff, estava difícil para mim. Valeu-me a pintura… em boa hora aportada. Obrigado JNA

        • José Navarro de Andrade diz:

          chamaram-me? estava no terraço a beber um mojito e pareceu-me ouvir o meu nome.

          • Orcama diz:

            Por mim, só para lhe agradecer…
            Se houver por lá também um mojito… mas só se for com rum Matusalem, the rebel of rums…

  7. Turmalina diz:

    Não conheço muito de literatura, menos ainda da portuguesa, mas por um momento quase me joguei ao mar na esperança de me tornar sereia.

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Jorge de.…?

  9. ana diz:

    Eu que sou terra a terra apetecia-me avançar um nome. Quem sabe está na rectaguarda, os comentários do Pedro Norton e da Eugénia que nomeiam as obras dizem tudo. Mas venho aqui para congratular o Manuel S. Fonseca por relembrar Tomáz de Figueiredo (que sei que também é do apreço do José Navarro de Andrade)

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Á! O Ruben…

    • Orcama diz:

      “Foi Menez, a pintora amiga do escritor, quem, com a seguinte frase, deu origem ao nome pelo qual este ficaria a ser conhecido literariamente: “Serás sempre o Ruben A. e nunca o Ruben B.”. (Extracto retirado do site da A&A).

  11. António Eça de Queiroz diz:

    Mas na Bairrada, Pedro? Ele tinha casa em Montedor, perto de Viana…

    • Pedro Norton diz:

      E o Leitão, António?

      • Orcama diz:

        Ah, Ah, Ah!!! Boa, Pedro Norton!
        Eu, só deixo mais isto:
        ”… Facetas que poderão ser descobertas num espaço único da cidade do Porto, utilizado hoje pela Faculdade de Ciências da U. Porto (FCUP). Espaço que, recuando no tempo, acabaria por marcar a obra do autor, já que foi ali, na então Quinta do Campo Alegre, que Ruben A. (de Andresen) passou parte da infância, na companhia da avó e da prima, a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen.”…
        (retirado do site da U. Porto).

  12. António Eça de Queiroz diz:

    O Leitão é de Lisboa, Pedro, dos joalheiros.
    E qual é o Coelho que não pode passar na Bairrada por riscos de imediata assadura?
    O Jorge, claro, com aquela cara de bacorinho inocente…

  13. Orcama diz:

    Como Pedro Norton desapareceu, cumpre-me a mim deixar isto…
    Ruben Alfredo Andresen Leitão (Lisboa, 26 de maio, 1920 — Londres 23 de setembro 1975)

  14. António Eça de Queiroz diz:

    Sei disso, Orcama, sou amigo duma das filhas, a Catarina Andresen Leitão, e por isso conheço a casa de Montedor.

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