
Mar de Outubro, 2007
“Sabes: só me apaixonei uma vez. Passou-se quando julguei as sereias apetitosas e querentes de vislumbres humanos — mas faltavam-me orifícios apropriados numa medida confortável de introspecção. Tal foi essa intensidade que me ajoelhei a pedir desculpa — no entanto possibilidades de entusiasmo quebravam-se no auscultar das marés redimindo-se para posses das minhas cápsulas de espuma. Às vezes, sentado na areia, evitava cromossomas aflitivos no revelar de perdigotos para apalpar linguados ao natural. — Alguns ciclóstomos punham-se em ventosas de ciúmes e riam-se quando lhes transmitia festas de cauda. Não acreditavam ser possível a construção de lampreias de ovos pelas pastelarias da baixa.”
Adivinha: quem é o mais injustiçado dos escritores portugueses?

















Não li tudo dele. Longe disso. Ainda. Mas lerei — nem que seja na A&A da Passos Manuel onde o vi da última vez: gosto-o, dilatou o português que pensamos porque inventou uma forma de dizer toda dele para nos apropriarmos melhor do pensamento. Se não fosse por isto gostava-o pelo humor. E porque teve a bondade de não ir assombrar o Vasco. E mais não digo.
Mais não disse mas disse quase tudo. A Eugénia, já ganhou. E os restantes mortos?
Pedro, junte-lhe o Tomaz Figueiredo e tem o casal de injustiçados perfeito.
e que rico par!
O A., deste lado e o Fonseca , do lado de lá, são os dois melhores Rubens do séc. XX. E faço muitíssimo minhas as palavras do Manuel.
Pois. Parece que outros Rubens terão existido antes do século XX. Mas não foram injustiçados nem tinham, que eu saiba, queda para a escrita.
Pedro. Essa é fácil. O mais injustiçado dos escritores portugueses sou eu. Agora o segundo mais injustiçado, que terá escrito este texto acima, francamente não sei quem é. Ou talvez saiba, mas desconhecendo-o na mesma. Poderá ser um senhor com nome de província espanhola que escreveu coisas ao fim da tarde e por amor se matou novo (como dizia o Rui Veloso)?
Morreu relativamente novo, é certo. Mas a menos que a Bairrada tenha sido anexada, não me parece que o nome esteja relacionado com qualquer provincia espanhola.
Sinto-me quase Hastings (mas se acertar serei Poirot), de discurso em discurso fui percorrendo uma trilha que me levou a um autor que nasceu no mesmo dia da cantora de jazz Peggy Lee, deu pra morrer quando nasci e que pôs o mundo à minha procura…é ele que devo ler?
Elementar minha cara Luciana! Leia e vai ver que não se arrepende. E comece precisamente por esse Mundo que a procura.
Luciana, o mundo é vasto e a procura quer-se demorada: bem vê, pede vagares onde, não só se possa perder, como queira perder-se. A menos que tenha uma cabeça, vá, de rapaz, comece quase pelo fim, exactamente como convém a quem um dia fez uma escrita de caranguejo: Silêncio para 4.
Luciana: está a ver como certas pessoas implicam comigo?
José Navarro! Quantas vezes é que tenho de lhe dizer: não implique com o PN que ele ainda está maçado com a barafunda que o Eliot Ness fez no Art Institute of Chicago quando o confundiu com o Al Capone.. quantas?!
Pedro, Pedro, não reclames do Zé (está claro que não terias a audácia de reclamar da Eugénia, não é mesmo?).
Quanto à minha cabeça, tenho pudor de confessar que às vezes é mesmo de rapaz — mas só quando se depara com bola de futebol ou faroestes. No mais, começo justamente onde termino e só me acho se estou perdida, então lá vou atrás do Silêncio para 4.
Isso, isso, encostada à barbela da torre, que essa conheço eu, e fico-me por aí.
Uff, estava difícil para mim. Valeu-me a pintura… em boa hora aportada. Obrigado JNA
chamaram-me? estava no terraço a beber um mojito e pareceu-me ouvir o meu nome.
Por mim, só para lhe agradecer…
Se houver por lá também um mojito… mas só se for com rum Matusalem, the rebel of rums…
Não conheço muito de literatura, menos ainda da portuguesa, mas por um momento quase me joguei ao mar na esperança de me tornar sereia.
Turmalina: cuidado com os ciclóstomos.
Não tem perigo, eles estão lá bem grudadinhos às pedras…r.ss…
Jorge de.…?
Eu que sou terra a terra apetecia-me avançar um nome. Quem sabe está na rectaguarda, os comentários do Pedro Norton e da Eugénia que nomeiam as obras dizem tudo. Mas venho aqui para congratular o Manuel S. Fonseca por relembrar Tomáz de Figueiredo (que sei que também é do apreço do José Navarro de Andrade)
Á! O Ruben…
“Foi Menez, a pintora amiga do escritor, quem, com a seguinte frase, deu origem ao nome pelo qual este ficaria a ser conhecido literariamente: “Serás sempre o Ruben A. e nunca o Ruben B.”. (Extracto retirado do site da A&A).
sempre a aprender consigo, amigo Orcama.
Mas na Bairrada, Pedro? Ele tinha casa em Montedor, perto de Viana…
E o Leitão, António?
Ah, Ah, Ah!!! Boa, Pedro Norton!
Eu, só deixo mais isto:
”… Facetas que poderão ser descobertas num espaço único da cidade do Porto, utilizado hoje pela Faculdade de Ciências da U. Porto (FCUP). Espaço que, recuando no tempo, acabaria por marcar a obra do autor, já que foi ali, na então Quinta do Campo Alegre, que Ruben A. (de Andresen) passou parte da infância, na companhia da avó e da prima, a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen.”…
(retirado do site da U. Porto).
O Leitão é de Lisboa, Pedro, dos joalheiros.
E qual é o Coelho que não pode passar na Bairrada por riscos de imediata assadura?
O Jorge, claro, com aquela cara de bacorinho inocente…
Como Pedro Norton desapareceu, cumpre-me a mim deixar isto…
Ruben Alfredo Andresen Leitão (Lisboa, 26 de maio, 1920 — Londres 23 de setembro 1975)
Sei disso, Orcama, sou amigo duma das filhas, a Catarina Andresen Leitão, e por isso conheço a casa de Montedor.