03 Coisas lindas de românticas para dizer ao Grande Amor

ONDE?
Em qualquer rua de Lisboa que esteja enfeitada com grinaldas de papel coloridas, ao alto, e grelhadores gigantones, cheios de sardinhas e febras, ao baixo. Quando? Quando ele, o raio do Grande Amor, lhe oferecer um manjerico só para você ficar feliz.. com ele. Malvado manipulador!
O QUÊ?
Merci, gostei muito.. é que nem de propósito, você parece que adivinha: queria fazer trenette com pesto alla genovese, mas não fui ao mercado comprar manjericão.

Eu própria só não o disse ainda, ouça, pelo motivo do costume — e não, não é por desconhecer Alfama, nem por deficit manjerical.


Comentários a “03 Coisas lindas de românticas para dizer ao Grande Amor” (26)

  1. ana diz:

    eu gostava de lhe oferecer a ele um manjerico, mas será que ele vai ficar feliz?

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Isso parece bem e bonito, Ana, mas tratando-se de homens..olhe, porque não lhe faz o trenette com pesto?

  2. ana diz:

    só um pormenor: esparguete com magerico (não, não é magericão, é mesmo magerico) é delicioso. E já tive um responso, há anos atrás há conta disso…;)

  3. ana diz:

    faltou-me sempre sempre o n.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Ana, não se mace com o n.. é mais silencioso em manjerico, do que o c do facto que deixou existir sem que por isso fiquemos de paletó.

  4. ana diz:

    há anos atrás à conta disso…

  5. Orcama diz:

    Santo António de Lisboa
    Era um grande pregador,
    Mas é por ser Santo António
    Que as moças lhe têm amor.
    (in Quadras — Fernando Pessoa)

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Olá Orcama de santos populares! Quem havia de dizer..

      • Orcama diz:

        Pois então, cara Eugénia de Vasconcellos, é a época…
        Pegue lá também esta quadra, em vasinho de manjerico:
        “Tome lá, minha menina,
        O ramalhete que fiz.
        Cada flor é pequenina
        Mas tudo junto é feliz.“
        (in Quadras — Fernando Pessoa)

  6. Joana Vasconcelos diz:

    Liiindo!!!

    Eugénia definitivamente gosto deste “migar para deliciar” (degustar, devorar, encantar you name it) bem mais que do estafado “é regar e pôr ao luar”, que só me trouxe dissabores: tive pelo menos dois que cairam da janela abaixo, o que além de ser um perigo público quando se vive no centro de Lisboa, gera uma situação no mínimo constrangedora quando se tenta explicar o sucedido ao amável doador …

    • Orcama diz:

      O vaso de manjerico
      Caiu da janela abaixo.
      Vai buscá-lo, que aqui fico
      A ver se sem ti te acho.
      (in Quadras — Fernando Pessoa)

      • Joana Vasconcelos diz:

        Com todo o respeito e a devida vénia, temo bem que o em tudo o mais genial Fernando Pessoa nunca tenha visto o lindo estado em que ficam o vaso, o manjerico, a terra e o passeio de calçada portuguesa depois de uma tal queda … na melhor das hipóteses aproveita-se o cravinho de papel e com o arame todo torto .…

        • Orcama diz:

          Ele também parece assim ter entendido, ao ter escrito:

          E ao acabar estes versos
          Feitos em modo menor
          Cumpre prestar homenagem
          à bebedeira do Autor.
          (in Quadras — Fernando Pessoa)

        • Turmalina diz:

          Hahahaha… e o pior, Pessoa escreveu: Vai buscá-lo (enquanto eu fico aqui só olhando)…como se fosse como tomar café na esquina…buscar um vasinho esborrachado na calçada é um pouco mais complicado, afinal tem-se que catar os cacos, a terra e os pedaços de planta espalhados pelo passeio.Perde-se todo encanto…

          • Orcama diz:

            Ele também escreveu:
            Tenho uma pena que escreve
            Aquilo que eu sempre sinta.
            Se é mentira escreve leve.
            Se é verdade, não tem tinta.
            (in Quadras — Fernando Pessoa)

            • Turmalina diz:

              Apesar de tudo, adorei suas mentiras, oops, quero dizer, quadrinhas, Mr.Orcama!

              • Orcama diz:

                Sabe, Turmalina, iniciámos a épocas das festas populares, celebrando Sto. António em Lisboa e S. João no Porto, um pouco mais tarde, com marchas, arquinho, balão e muita sardinha assada.
                Em Lisboa, outrora, era costume oferecer às namoradas, e não só, um vaso de manjerico com uma quadra apropriada, deste género:
                “Meu amor, dá-me dois beijos
                P’ra me dares um terceiro,
                Que é só para haver um quarto
                Antes do quinto e primeiro.“
                (in Quadras — Fernando Pessoa)
                Compreende-se assim, estas quadras que por aqui deixei.
                Daí também o primeiro comentário de Joana Vasconcelos.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Sabe o que me ri ontem ao fim da noite com os manjericos janela abaixo? E estava com tanta dor de cabeça que mal conseguia olhar para o ecrã. Mas mesmo assim vim espreitar — duas ou três vezes até.

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Viva Santo Antoninho!
    E mais não digo…

  8. Luciana diz:

    Eugénia, comprei hoje, feliz e feliz, um livro da Clarice que insistia em escrever minh’alma. Mas no primeiro texto que li, não era eu que estava ou não era só eu…Doeu-me a preguiça e não há jeitos nem espaço de digitar toda a crônica, mas aqui vai um trecho:

    “O homem. Como o homem é simpático. Ainda bem. O homem é a nossa fonte de inspiração? É. O homem é o nosso desafio? É. O homem é o nosso inimigo? É. O homem é nosso rival estimulante? É. O homem é nosso igual ao mesmo tempo inteiramente diferente? É. O homem é bonito? É. O homem é engraçado? É. O homem é um menino? É. O homem também é um pai? É. Nós brigamos com o homem? Brigamos. Nós não podemos passar sem o homem com quem brigamos? Não. Nós somos interessantes porque o homem gosta de mulher interessante? Somos. O homem é a pessoa com quem temos o diálogo mais importante? É. O homem é um chato? Também. Nós gostamos de ser chateadas pelo homem? Gostamos. Poderia continuar com essa lista interminável até meu diretor mandar parar. Mas acho que ninguém mais me mandaria parar. Pois penso que toquei num ponto nevrálgico. E sendo um ponto nevrálgico, como o homem nos dói. E como a mulher dói no homem.”

    Assim, descobri que o livro não é meu, é seu Eugénia, está apenas sob minha guarda pra quando quiseres solicitá-lo como lhe é de direito.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Luciana,

      era bem capaz de ficar aqui à conversa consigo — apanhou-me pelo calcanhar de Aquiles: fico sempre feliz quando compro um livro. Feliz da capa, do cheiro, de ir lê-lo. E gosto de saber que livros compraram, de que autor e editora. Às vezes, vou ler um livro só porque alguém de cujo pensamento gosto, gosta. Um dos meus prazeres é, ao sábado, pegar num livro, no cão e ir de bicicleta até uma esplanada onde almoce com letras e calorias culposas. E Coca Cola Zero cheia de gelo e limão. Hoje fui. Tinha saudades de ir.

      Gostei muito que me fizesse dona de um livro seu. E do excerto que escolheu, Fiel Depositária. Fiquei contente. Merci.

      • Luciana diz:

        Caríssima Eugénia, em relação aos livros, passa-se quase o mesmo comigo no que dizes.
        Ri-me um dias destes quando nos contastes que gostas de ver o que os outros lêem. Nem imagina que vergonhas já passei por semelhante curiosidade. Basta ver um livro, não importa se de conhecida ou desconhecida pessoa, e já me espicho toda pra identificá-lo. Como me olham enviesado por isso…mas é-me irresistível. Ah, o seu livro chama-se “de amor e amizade” e a crônica de onde veio o trecho é “amor imorredouro”.

  9. António Eça de Queiroz diz:

    Ora aí está! A Clarice percebe-me! (tenho de mostrar isto a uma pessoa que eu cá sei…)
    Obrigado, Luciana!

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