Houve um período de mais de uma década em que me cansei de ouvir guitarras e me virei para outros sons. Os riffs soavam, invariavelmente, a déjá écouté e o formato tradicional da canção pop/rock já não me fazia levantar nem o dedo mindinho do pé. Comecei com o trip-hop de Bristol dos Massive Attack, Tricky e Portishead, e fui por aí fora com house (e todas as suas variantes), drum´n´bass ou jungle, dub e algum easy listening. Tudo onde não predominasse o som orgânico da guitarra. Claro está que também estas foram fórmulas que o tempo se encarregou de fazer cair em desuso.
Estava eu neste pé lá para 2005 sem saber para onde abrir o meu ouvido quando, com estardalhaço, aparece um tipo chamado James Murphy que, de uma NY que andava meio sorumbática, nos oferece um irresistível batido de sons. É isso mesmo, batido. Um jarro onde cabiam todos os sons acima referidos e outros mais. Tudo muito anarquicamente misturado para que não se percebesse o que é que era aquilo. E uma noção de pop (meio cínica ou paródica, é certo) mergulhada, de novo, em familiares guitarras e em sintetizadores que nos faziam lembrar, a contragosto, que não os devíamos levar a sério. O batido tinha o nome de LCD Soundsystem e foi apresentado, sugestivamente, com o rótulo de rock not rock.
Ao terceiro álbum, This is Happening, acabadinho de ser editado, os LCD, que já tinham começado em grande, despedem-se com aquela que será, provavelmente, a mais brilhante marca musical do ano. Segundo James Murphy, fechou-se o ciclo dos LCD e, a partir de agora, só se voltarão a reunir em palco (e uma dessas aguardadas reuniões será, a propósito, no nosso país, lá para Julho, no Optimus Alive). Tudo isto é muito relativo pois, para quem não tenha ainda percebido, os LCD Soundsystem são apenas um pseudónimo artístico de James Murphy. Com ou sem LCD, ele vai continuar a andar por aí, não se preocupem, a compor, escrever, produzir, editar (através da sua DFA, uma das mais proeminentes e criativas editoras do momento), cantar, tocar (tudo o que é instrumento do qual se possa extrair um som) ou simplesmente a passar música, na sua vertente de dj (ele bem sabe, como empresário e marketeer que também é, que as rockstars do passado foram substituídas pelos dj´s).
Como se pode ver e ouvir pela primeira amostra (Drunk Girls) que vos deixo, a desordem (bem regada a álcool neste caso) continua a ser a pulsão criativa da banda. E James Murphy, a avaliar pela segunda amostra (You Wanted a Hit, que fica já como uma das grandes canções do ano), continua a fazer da ironia uma das suas principais armas, questionando a pop e o seu lugar dentro dela. Quem ouve “you wanted a hit, but maybe we don´t do hits, I try and try, It ends up feeling kind of wrong” não consegue evitar o desconforto de quem, na busca pela diferença, acaba a ouvir sempre a mesma canção. E percebe, finalmente, depois de ter tentado alcançar o inalcançável, que não vale a pena lutar contra isso, porque está visto (ou melhor, ouvido) que essa “mesma canção” é sempre a melhor.

















Correction :…it ends “up” feeling kind of wrong…;)
Top album indeed !!!
Dia 10 Jul no Optimus Alive.
Muito obrigado Alex, vou rectificar. Se estiver por Lisboa, claro que irei vê-los ao Optimus Alive.
http://www.youtube.com/watch?v=q-G1NltxNqE