Já temos mais fogo amigo a animar as nossas short stories. Este chegou assinado pela Sofia Loureiro dos Santos, autora do atentíssimo Defender o Quadrado.
Abrir o mundo em folhas de cinza
por Sofia Loureiro dos Santos
Na cara o esquecimento do vento, olhos bem fechados, o ruído surdo e o embalo do comboio. De lado é como se um enorme tela pintada por quem corre, como o dia que fica para trás. À frente só o emaranhado de cabelo, os pássaros que não vêem mas passam quase colados à vertical do horizonte.
Apetece a vertigem do abismo, dos carris em linha que perigam a vontade irresistível de cair, ficar aonde já não há começo. Para lá do que já passou passa tudo sem saber que morre. Apetece a orgia veloz do desconhecido, sem traços de sangue nem passos firmes. Apetece abrir o mundo em folhas de cinza, irreal e fantasmagórico como os sentidos que adormecem.
Sem sugestão do risco, para lá do que não tem lei.


















Olá Sofia, que bem vinda.
Obrigada eu, Eugénia, por me abrigarem neste tão lustroso cemitério.
Sofia, que bem que me soube este short trajecto debruçada na janela… Regresso ao trabalho revigorada e ligeiramente desgrenhada.
Obrigada, Joana.