Se…

… Portugal tivesse dinheiro, entre outras coisas, devíamos mandar fazer filmes a sério sobre os Descobrimentos. Aqui deste lado todos sabem quem foi o Colombo, poucos, o Vasco da Gama. Aqui deste lado eleva-se o programa espacial à classe de epopeia moderna — e com razão — a tecnologia, a razão e o empenho, combinados com orgulho, coragem, tenacidade e necessidade. No fundo, o mesmo que nos levou à procura do caminho marítimo para a Índia. Colombo teve sorte, mas foi desprezado pelos nossos Reis, que na altura decidiram pelos pareceres técnicos — ir para a Índia, naquela direcção, não fazia sentido. E se os Gregos são conhecidos pela Grécia Antiga, os Romanos pelo seu Império, os Egípcios, os Ingleses, os Franceses e mesmo os Americanos, o que é que nos falta a nós? Histórias… conhecidas! O que não seria! Na boca de toda a gente. E depois vendiamo-lhes a cortiça. E pasteis de nata. Falta-nos o marketing. Mas não é daquele do Cristiano Ronaldo espetado num dos prédios do Marquês de Pombal.

Comentários a “Se…” (7)

  1. Orcama diz:

    Pois… com certeza porque só descobrimos o caminho marítimo para o dito 3º mundo. Colombo teve mais sorte, seguiu sempre em frente e deparou-se com o 1º. Mas não percamos a esperança, também descobrimos o caminho marítimo para a China…

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Young Master Francis — título partilhado com o já menos Young PMS — o Samuel Fuller, cineasta dos meus amores, que talvez conheças do Big Red One de que era protagonista o Lee Marvin, andou às voltas de financiamento para fazer um épico com o Vasco da Gama. O actor que já estava na calha era o Robert De Niro. Se tem sido feito não estaríamos hoje em processo depresso-recessivo.
    Mas há mais, podes ler um estudioso americano, que é um belo divulgador, o Daniel Boorstin, Prémio Pulitzer em história. O Boorstin, no seu livro The Discoverers, tem um magnífico elogio aos descobrimentos portugueses e cobre-os com esse manto épico de que estás à procura. É uma boa e consoladora leitura.

  3. António Eça diz:

    Tem muita razão, Francisco. Realmente, o Ronaldo do BES é bom para ‘coroas’ desvalidas. Apesar de tudo, o Pequeno Mouro é bem melhor, sempre a estrebuchar com tudo e todos…
    Tenho ideia que o Kubrik ainda pensou em fazer um Gama, antes de morrer. É verdade ou não, Manuel?
    Olá Orcama!

  4. Turmalina diz:

    Este é um tipo de cinema que gosto muito.

  5. Orcama diz:

    Sempre há a ópera de Giacomo Meyerbeer, L’Africaine, cuja ária “Oh Paradis” foi o cavalo de batalha dos tempos em que havia verdadeiros tenores, Caruso, Gigli, Bergonzi, Corelli, Pavarotti, Domingo…
    Aqui vos deixo um, muito bom e muito honesto, que nunca embarcou em modas: D. Alfredo Kraus.
    http://www.youtube.com/watch?v=qJAVCwR3abU

Comentar