O vermelho é a minha cor preferida. A paixão é antiga — não me lembro de não gostar muito – e não tem nada, mas nada que ver com inclinações clubísticas, sendo eu, na expressão feliz da Eugénia, convictamente desfutebolizada. O vermelho é bonito e alegre, caloroso e expressivo. É a cor das joaninhas, dos morangos e das cerejas, das flores mais bonitas – e, agora que olho à minha volta, do meu i-pod, das minhas pens, do meu porta-moedas, do meu filofax e de todos os meus dossiers. Na China, vermelho é cor de festa e de sorte: as noivas casam vestidas de vermelho e são sempre vermelhos os panchões que, em enormes fiadas, se rebentam em todas as ocasiões festivas, seja para celebrar datas ou eventos, seja para invocar a maior das fortunas em novos projectos ou fases.
Há muitos anos, uma fantástica professora de inglês que tive, ao saber deste meu gosto, falou-me da quantidade de sugestivas expressões idiomáticas inglesas que incluem red. Fui ver e fiquei fascinada. Porque, na verdade o vermelho, melhor dizendo, o red torna tudo tão mais intenso e compreensível. Àquele que é caught red-handed, seja no que for, de nada adianta tentar explicar-se: não se concebe mais patente flagrante. Advertir que um prato ou condimento é red hot não significa que pica, significa que é fogo. O mesmo red hot aplicado alguém que muito nos agrada (in that very sense, of course) indicia very, very passionate feelings, uma really strong attraction. E é evidente que chamar red-letter day a uma data digna de lembrança ou de celebração a torna, desde logo, especialmente festiva*. Tal como não carece de grande explicação ser interdito, outrageous mesmo, o que se encontra num red-light district Existem depois o red herring, a misleading clue ou diversion que, de tão enganosa, despista qualquer um, apreciadores de vermelho incluídos, e o red top, o berrante e excessivo tablóide.
Mas há mais. O red é ainda profusamente utilizado, sempre a propósito de coisas boas e engraçadas**. Agrada-me que o belo tinto seja red wine, que sejam red headed aqueles cujo tom de cabelo, natural ou nem por isso, é arruivado e red-faced aqueles cujas faces são rosadas ou ficam assim quando se atrapalham. E, ainda, que o vermelho alargue as suas fronteiras de modo a cobrir certos tons mais felizes de laranja, como o brick-red, entre nós baçamente designado cor-de tijolo.
*Que pode bem vir a ser o dia de manhã para os inúmeros intensely-red-soccer-fans deste blog.
** Ao contrário do que sucede com outras cores, associadas a realidades tão moody como os baby-blues, tão falhas de solidariedade como os yellow dogs (fura-greves) ou tão gozáveis como os inexperientes e ingénuos greenhorns (otários).


















Ora aqui está uma coisa inovadora : um red grave yard!
A juntar à tua lista, ocorrem-me outras expressões idiomáticas que posso colocar sobre a forma de pergunta, ou melhor dito, desafio, que é uma prática tão acarinhada por aqui. Por exemplo, qual foi a última vez que te aconteceu “paint the town red”? :)
Essa é mesmo muuuuito boa Anita! Respondendo à tua pergunta, diria (melhor, cantaria …) como o Don Mc Lean … (it was) a long, long time ago (but) I can stil remember … ;)
Este post será saudado nas ruas e praças de Portugal. Já hoje em Lisboa, amanhã no Porto. Ou seja, a minha vénia é o menor e mais risível dos aplausos, face à ovação universal que já se ouve.
Não quero ainda assim deixar de acrescentar que tenho um livro lindo, capa dura, forrado a pano vermelhíssimo, a superfície externa das páginas tintada também a vermelho. o livro chama-se RED, foi escrito por Stéphanie Busuttil-César para as edições Assouline (New York). É um livro celebratório dos usos do vermelho, do seu uso simbólico aos mais iconoclastas e provocatórios.
Talvez, tão incerto que ando, volte cá por cá amanhã para o apresentar.
YES, PLEASE DO IT, MANUEL (pus a resposta a bold, mas peço que a imagine também a vermelho). Esse livro deve ser um sonho …
Por favor, por favor, traga-o, já estou de binóculo e bem deitada em minha antes referida espreguiçadeira à espreitar as tais estantes…
Prontos! Já está! Não aguentaram esperar até ao dia da consagração e desataram a abrir os armários.
A gripe do mofo tem estas características estranhas: discursos ditirâmbicos como quadras partidárias, a vista toldada de tinta (ou tinto, conforme os vícios), e a voz de oboé afogado que hoje detectei no MSF.
Vá lá que tudo passa em meia dúzia de meses…
António Benedito, ora retire lá o plural a esse seu comentário! Não leu que eu sou desfutebolizada? Não percebeu ainda ao fim destes meses todos que, a ter um acesso de futebolice jamais torceria pelo Benfica e que por isso este meu lindo post evidencia o meu fair-play, a juntar a todo o vasto leque das minhas qualidades? Porque é que só pensa em bola? Valha-me Deus!
Não sabe que hoje é Primeiro de Maio, data ideal para publicar este post vermelhinho que há tempos eu já andava para escrever? Mas que mau-feitio …
Joana, o homem do norte já treme como varas verdes sem ninguém lhe dizer nada. Aparece a Joana a fazer-lhe tércios de capote com o seu lenço vermelho e ele deu-lhe uma coisa azul na vista.
Gosto de vermelho e gosto que a Joana goste. E gostei deste red red red post.
Obrigada Eugénia (num lindo vermelho). Leu o comentário do Manuel lá em cima sobre o fantástico livro vermelho? Suponhamos que o livro desaparecia da estante dele (e que a Luciana nessa altura não estava a ver de binóculo porque tinha ido comer os caranguejos … ) … O que é que acha que diria o post-it que decerto MSF iria encontrar coladinho lá bem perto do espaço vazio?
Isso é que é um liiindo! desafio, Joana. Vamos pensar e fazer um post it para oferecer ao Manuel Fonseca para quando ele lhe fizer o red book post que merece?
Bora lá! Tem que ser realmente científico, que ele gosta muito! Vamos ter de caprichar, Eugénia! What a challenge!!
Se não, crucifica-nos e com os pregos da lógica, mais os da epistemologia e assins. Tem razão, tem de ser ciência. Pura.
Ou então uma coisa completamente ininteligível, apresentada como interessante e estimulante charada, claro, que o deixe entretido a decifrar … Qualquer coisa que o mantenha — e a nós sobretudo — longe da tal da epistemologia e, pior que tudo, dos assins
Concordo: os assins tendem, no mínimo, à erinização.
Vou reler o post de melting pot do Vasco e retiro-me. Boa noite.
Até amanhã, Eugénia.
Ai, ai, Joana, aproveitem amanhã que cedo vou à praia comer bem comidos os tais caranguejos e ainda um ou outro camarão a ver se melhoro meu humor…
Não gosto tanto assim do vermelho mas gosto das Lanternas Vermelhas do Zhang Yimou, assim como do Viiolino, também Vermelho, do François Girard. Gosto mais do rosa e do lilás, assim como do verde e do azul…mas tenho aprendido como apreciar o vermelho :o)
Não me diga, Turmalina, que também a simpatia pelo vermelho a aprende neste extraordinário blog?
Of course, my dear…rs.…
Manuel: eu não tremo, e menos ainda em verde.
E até gosto do encarnado.
Amanhã falamos.
Joana, desculpe. Já a desfutebolizei da minha agenda.
Já é um começo. Agora releia o meu post e tente, ao menos tente, um comentáriozinho desfutebolizado, de preferência simpático …
Prontos!
Gosto imenso de encarnado…
Particularmente nas flores…
E em alguns pássaros, e nas lagostas, depois de cozinhadas…
É…comer azul não é assim tão comum…mas sim, ficou bem mais simpático e nada futebolístico, Benedito!