Play it again, Sam*


O meu sobrinho fez ontem uma exorbitância de anos: 2. Inteiros. Completos. Uma fartura de mais de 700 dias. Esta é a música preferida dele. Também gosta da ária da Rainha da Noite, e ainda mais da parte em que a Majestade respira por absoluto mistério.  Do Lamento de Pamina, com muita atenção. E da Marcha Turca que não tem nada a ver com isto. Faz que toca piano no encosto do sofá e dança. Mas com a Flauta Mágica é que é a loucura. Ficava-me bem dizer que o rapaz é um monstro dotado apesar de não falar. A verdade, no entanto, é que o reportório de pedidos, inequívocos, não se fica por aqui. Faço a play list. Em bilingue que sou um primor de tia. E acrescento: tive de ouvir nove, nove vezes de seguida, o dueto Papagena-Papageno na quinta feira. Fiquei com penas e bico! O porquê do acrescento? Ora adeus! Isto de família vem com obrigações… para quando for velha lhe cobrar a companhia em termos igualmente inequívocos: o menino faça o favor de vir com a sua tia à ópera porque o seu tio está uma desgraça de surdo e agora sou eu que estou com ganas de ouvir A Flauta Mágica tio?!, diz você que é um leitor atento, tio como se não tem marido? Ora outra vez adeus, não estou cá a contar que, a despeito dos requisitos um tudo nadinha lailailailai, São Gonçalo incumpra.. entre tanto malvado que há no mundo, há-de haver um em condições e que, vá, me apeteça.

Play Happy Birthday List.
Pagên– Papageno
AhAh – Rainha da Noite
Pian – Marcha Turca
Pinpin — Le ragga des pingouins
Atchim – Atchim do Avô Cantigas.

* eu sei, eu sei, não é preciso que digam: esta frase não existe no filme.



Comentários a “Play it again, Sam*” (28)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    Eugénia, começando pelo fim, não se perturbe ou sequer angustie ante a perspectiva de incumprimento (ou cumprimento defeituoso, que nestas matérias me parece igualmente problemático.…) por parte do aliás estimável São Gonçalo … Tenho aqui na manga, para usar apenas em caso de necessidade, a derradeira e definitiva arma: Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis… Uma mulher claro, e uma precisíssima ajuda para lidar de forma adequada com os, a diversos títulos já se sabe, impossíveis candidatos a tio do menino…

    Voltando ao post,

    Muitos parabéns ao muito estiloso rapazinho!

    Gostei logo, Tia Eugénia, do fantástico carapuço Stitch - um verdadeiro e unânime clássico (da asneira, claro) cá por estas bandas …!

    E, claro, do extraordinário gosto musical do rapazinho… Se aos dois anos se deleita já com a AhAhria da Rainha da Noite, suspeito que mais perto dos três exigirá a Cavalgada das Valquírias… Pode ser que escapem, ele e a Tia, à estridente Hannah Montana …

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      De todo, recomeçando pelo fim, Joana, tenho grande confiança de que, se alguém é capaz de me fazer apaixonar, esse alguém é São Gonçalo, e também acredito que depois da trabalheira que terá para o fazer, será por alguém digno de infernizar.

      Merci. E que bela ideia… vou-lhe passar a Cavalgada — mas sem os helicópteros de Apocalypse Now: é muito novo para as aberturas perfeitas de Coppola.

      Ps: foi a mais estilosa fotografia dele que encontrei!

  2. Luciana diz:

    Quisera que todos os meus aproximados 12.850 dias tivessem sido passados com sonoro acompanhamento tão refinado…extraordinário senso tem seu sobrinho! (daí de volta às teorias de hereditariedade X ambientalismo é um pulo, rsrs). Parabéns, ainda, a ele, pela data (adoro festas e, mais ainda, adoro festas de aniversário.).
    Quanto aos inúmeros e tantos ineptos pretendentes, no Brasil não há quem vença a prestimosidade e precisão de Santo Antônio (temos até uma festa denominada Pau da Bandeira, muito concorrida!).

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Obrigada, Luciana. A ópera, por vezes, tem um excesso que também pode divertir muito uma criança.

      Santo António por cá também é muito recorrido.

  3. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Eugénia, apesar de não ser santo, sou homónimo do dito, pelo que senti imediatamente uma quase obrigação de incluir o seu mais que justo pedido nas minhas preces e assim interceder por si junto do santo. Advirto, porém, que, tal como acontecia a umas minhas queridas tias, assim que o seu nome e o seu pedido entrem nas como que religiosas ladaínhas, dificilmente, depois, de lá voltam a sair, pelo que ou o pedido não é eficaz — coisa dificilmente compreensível e que você absolutamente não merece -, ou correremos o risco de, já satisfeito o pedido, o mesmo continuar, no entanto, a cumprir-se — coisa seguramente trágica que só a Joana há-de saber que santo poderia então resolver. Estou, portanto, indeciso. O que hei-de fazer?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Gonçalo, fiquei deveras intrigada com o segundo termo dessa sua angustiada alternativa … que a prece possa falhar, ficando a EV sem, vá, noivo, eu ainda percebo … que a prece produza o desejado efeito e prossiga em ultra-actividade significa que a EV pode ver a sua felicidade — finalmente alcançada — por assim dizer perturbada pelas catadupas de pretendentes que lhe surgem de todos os lados, tipo aqueles pedidos de amizade do facebook? Credo! Devia ser a isto que se referia a sábia Santa Teresa de Ávila, quando dizia que correm mais lágrimas por preces atendidas que por preces desatendidas …

      Mas vá rezando, vá rezando, que eu vou já pesquisar e prometo ter um santo preparado para qualquer eventualidade …

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        Joana, não procure, tenho a solução, e dá descanso aos Santos que, só por isso, Zás! me vão agradecer levando a prece sem fila de espera a quem de direito — já me sinto quase quase a apaixonar-me.. Uma vez entrado o pedido, e atendido, claro, se ficar tipo disco riscado é perfeito: renova-se sempre com os mesmos dois, ie, entre mim e o marido/namorado/híbrido mistério.

  4. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Combinado. A Eugénia entra hoje à noite nas minhas preces. julgo que fica entre o Pedro Norton e o Manuel S. Fonseca. Esperemos que com melhor sorte…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Gonçalo, agora fiquei realmente curiosa, a que específicos Santos reza e o que pede para PN e para MSF? E pelo resto da Gente Morta não reza porquê?

  5. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Fico muito grata pela sua oração, Gonçalo, um casamento feito no céu: seja da sua boca para os ouvidos de Deus.

    Ps: então põe-me entre o PN e MSF? Entre mefistos?! O que é que está a pedir para/por eles? Pode contar?

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    Eugénia, Joana e Gonçalo, expliquem-me por favor, estão a escrever o libreto da próxima ópera de quem, do Philip Glass, do Peter Eotvos?
    Seja como for, e por haver um inocente no meio do cacafónico melodrama, deixem-me dizer que o lindo sobrinho (cuja irrepreeensível compostura louvo) vai se um grande craque de futebol com apenas uma pecha na carreira: como é que ele vai explicar no balneário a panóplia de cores e adereços com que aparece armadilhado na foto? Foi para se esconder do PN?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Libreto? Ópera? Glass? Manuel — boa noite, antes de mais — como pode brincar com assunto tão sério e elevado? Não vê que o Gonçalo e eu estamos a tratar de arranjar um noivo para a EV (ela aparentemente consentiu), recorrendo à intercessão do Santo homónimo dele?

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Ora vamos lá pôr um bocado de ordem nisto tudo.
    Primeiro: S. Gonçalo não vence o meu homónimo na casamentisse — este é um facto mundialmente conhecido. A Luciana que me desminta, ou então que fale das Simpatias antonianas em terras de Vera Cruz.
    Segundo: Santa Rita de Cássia, Joana, é óptima mas é quando as noivas querem casar com o Senhor, não se esqueça… Ora não me parece que seja o caso. Já a questão de Santa Teresa de Ávila é muito pertinente. Pode ser embaraçososo… Ou não, ou não…
    Terceiro: Manuel, a predominância do azul no jovem melómano é uma evidência — só a cegueira clubística te impede de veri isso.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Casar com quem?

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Pois sim, António, mas tem de ser São Gonçalo porque preciso, não de um rapaz qualquer, ainda que seja perfeitamente decente, mas do rapaz. Aquele um. Se não, não quero.

    • Luciana diz:

      Convocada fui, como se canta na missa “eis-me aqui”. Desagrada-me ao extremo ter qualquer aparência de desacordo com Joana e quero deixar claro, de antemão, que qualquer informação que eu der é apenas para fins de esclarecimento cultural…A festa do Pau da Bandeira, em homenagem a Santo Antônio, costuma atrair a Barbalha mais de 300 mil pessoas por ano (fotos dos coloridos preparativos: http://www.cariridigital.com/2009/06/fotos-da-festa-de-santo-antonio-em.html). Algum mérito — ou uma excelente agência de publicidade — o santo tem…

      Simpatias há a levar com rodo: a mais simples é fazer chá da raspa da madeira do pau da bandeira. Sem gracíssima. Mais ao meu estilo (não sei se da Eugènia) é pendurar a imagem do Santo Antônio de cabeça pra baixo em um canto escuro do guarda-roupa até aparecer candidato que não nos custe irritar por um bom tempo da vida…

      No mais, meu caro Eça, a seu dispor…

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        Não, Luciana! Quero o meu rico Santo com a cabeça no lugar, até porque não tem pressa.

      • Joana Vasconcelos diz:

        Genial, Luciana, essa de pendurar o Santo de cabeça para baixo no armário às escuras! Aposto que funciona logo, logo! Aqui os meios de pressão sobre o Santo são bem menos radicais, logo menos persuasivos — tira-se-lhe o livro, tira-se-lhe o Menino Jesus, vira-se o Santo para a parede … Tudo muito soft, como vê. Talvez por isso, ande tudo de volta do São Gonçalo…

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Joana, agora quando for dormir vou seguir o exemplo do Gonçalo e fazer preces pelos mortos deste cemitério: para si vou pedir também um marido daqueles como os casacos de bom tweed. Fica ao critério de São Gonçalo ou tem especificações?

        • Luciana diz:

          Ah, Eugénia, agrada-me não a pressa mas a pressão, não creio que desagrade de todo, aos santos, uma malvadezazinha vez em quando…

          Joana, há tantas e tão engraçadas simpatias pra casar…mergulhar o pobre santo em um copo d’água, escrever com palito o nome do pretendente em uma vela, comprar um facão “virgem” e cravá-lo à meia-noite de 12 pra 13 de junho em uma bananeira…

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Com o Senhor, bem entendido. «Ele»…

  9. Turmalina diz:

    Pretendentes à parte.…afinal devemos ter muito cuidado com o que pedimos.…adorei o stitch style do seu sobrinho.Meus parabéns e muitas felicidades!

  10. Orcama diz:

    Parabéns, embora atrasados, ao “Sandokanzinho”, tigre com certeza, que nestas circunstâncias, um leopardo não passa de um gato, malhado, mas gato.
    A pose é fotogénica, imperial. E, ou vi mal ou grandes parecenças com a babada tia…

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