
Bem procurei a mais recente versão de Chris Thomas King, de que gosto muito. Encontrei outra, bem mais antiga – o original de Robert Johnson (Um génio! Pura lenda segundo Marty Scorsese), cantado em 1936, no Texas.
Este blues, sublime, junta a dor da perda e a dor do reencontro. Ela foi-se embora com o melhor amigo dele e não voltará. Nunca mais. Mas depois, a tanta angústia, junta-se a muito maior aflição da recolha da “woman in trouble” que o inverno abandonou à porta de casa.
Quem será? A que “babe” é que Johnson diz, plangente, “you better come on in my kitchen, it’s goin’ to be rainin’ outdoors”? Blues de infidelidade ou de aceitação? Dor de corno ou amor redentor? Decidam.
E, sobretudo, gostem muito deste mais famoso entre os mais famosos Delta Blues Singers. Johnson terá vendido a alma ao diabo para aprender a tocar guitarra – aprendeu de um dia para o outro, a uma velocidade impossível! – e tinha um catarata num olho, o seu “evil eye”, prova definitiva das suas relações luciferinas. Tinha 27 anos quando o Mestre das Trevas o veio buscar, no escrupuloso cumprimento do Faustiano acordo. Dizem que uivou à lua na noite em que morreu.
Há também um pessoal mais prosaico que explica tantos mistérios com o simples facto de Johnson ser um tipo excepcionalmente tímido, o que terá alimentado todas as lendas. Na sua campa funerária pode ler-se: “When I leave this town, I’m ‘on” bid you fare… farewell. When I return again you’ll have a great long story to tell.”
Os Rolling Stones gravaram, dele, pelo menos e assim de cor, “Love in Vain”, no album Let It Bleed. E o Mick Jaegger cantava o primeiro verso deste “Come On In…” no filme “Performance” de Nicholas Roeg.

















Gostei… dos Delta Blue Boys gosto muito da guitarra de John Lee Hooker. E o dueto dele com o Santana é bem interessante.
Também gosto do Hooker e dancei muito o Samba Pa Ti do Carlos Santana e o Oyé Como Va. Mas o Johnson vem lá do antigamente e das profundas do inferno. É lindo e mais moderno do que os modernos, por isso é que o Jaegger, como todo o seu diabolismo, gosta dele.
É vero…esqueci que ele tem um plus, um pacto. Quando bem mais nova gostava muito dessas lendas, que sempre respeitei por achar que talvez pudessem ser verdade. Ainda tenho lá minhas dúvidas sobre o alcance da alma e da mente humanas, e também das sobre humanas.
E Samba Pa Ti é delicioso!!!
Brian Jones had the first album,.…..When I first heard it, I said to Brian, “Who’s that?” “Robert Johnson”. I said “Yeah, but who’s the other guy playing with him?”. Because I was hearing two guitars, and it took me a long time to realize he was actually doing it all by himself.
Keith Richards
Orlando, obrigado pela ajuda. Estas 3 linhas dizem tudo o que é preciso ser dito. E é bom ter o Keith Richards aqui neste nosso Gente Morta.