Coisas de menina
by Turmalina
O vestido era de festa e eram os poucos dias de calor que experimentávamos.Tão acostumados ao branco da neve, quando chegava o verão era exatamente de branco que nos vestíamos. Parece um pouco de falta de originalidade, mas era só um a questão de costume.Ou talvez minha mãe fosse mesmo muito tradicional.
Seriam 15 horas de São Petersburgo até Helsinki em condições não tão confortáveis assim, mas eu não me importava, sentia-me livre. Os últimos dias não foram fáceis. Eu gostava de ser a Fada Açucarada, mas para tanto era preciso mais do que açucar.
Aos 11 anos era muita responsabilidade fazer parte do corpo de baile do Kirov. Eram muitas as cobranças, minhas mesmas.Mas era impossível esquecer também a rigidez dos professores, e principalmente a da minha mãe. Lembro que nos ensaios, em vésperas de apresentação, meus pés doídam de segunda à segunda, sem descanso. A ponta dos dedos, então, viviam dormentes. Se bem que os aplausos abafavam qualquer dor e confortavam-me imensamente a alma.
Mas lembro-me especialmente deste dia, do cheiro da lenha queimando nas fornalhas, com meus cabelos rebelando-se ao vento, enquanto o trem avançava ruidoso.Eu ia para o Festival de Artes e Cultura que acontecia todo ano na capital da Finlândia. Mas ia com meu pai. Com ele me sentia amada e segura. Podia até tomar sorvete e me sujar, podia falar tudo o que me vinha à cabeça sem o medo de ser repreendida.Com meu pai eu era feliz e era criança.
Até hoje quando abro a caixinha de música que ele me comprou naquele dia, deixo escapar um suspiro de saudade.Saudade de um dia que foi realmente feliz!


















Agora espero os zombies ;o)
Ora aqui está uma zombie, que gostou mesmo muito desta sua história, Turmalina. É claro que o vestido é de festa! E aposto que o cabelo tinha um laço também branco, que a fotografia não apanhou!
Sabe que enquanto lia só me lembrava do Quebra-Nozes — com três meninas em casa, já perdi a conta às vezes em que, no Natal (e às vezes fora de saison, para mal dos meus pecados) — assisti ao dito (para não falar já do filme de animação com a Barbie como Clara, que não havia maneira de parar de passar cá em casa …). Mas continuo a adorar a música, sobretudo a parte das danças! Que surpresa, o clip final … é mesmo som de caixa de música!
Querida Zombie Joana, obrigada! Sabe, fui menina mimada, embora não gostasse dos vestidos rodados e laços de fita no cabelo. Cresci boa parte ao lado da família da minha mãe , aonde eu era (e sou até hoje) a única neta, a única prima e a única filha…o restante eram garotos. Agora sou mãe de menino. Os filmes da Barbie nunca vi, mas em compensação, graças à paixão da minha mãe pelo ballet, perdi a conta dos espetáculos que assisti. Meu favorito é o Lago dos Cisnes e acho que a Barbie já foi Odette tb, não é?