Gosta de bola e de Benfica, de cinema e de música. Muito. E escreve sobre estas suas paixões numa combinação absolutamente única de entusiasmo com rigor, de gosto e reflexão pessoais com objectividade. Os seus posts – sejam sobre Von Trier ou Woody Allen, o seu divino e atarracado homónimo* ou treinadores de duvidoso mérito, o eterno Ian Curtis, o talentoso Sufijan Stevens ou o exótico Devendra Banhart — informam e ensinam, interpelam e despertam a curiosidade, divertem e dão que pensar**.
Depois, dá-nos música, muita música. Sempre excelente, seja antiga ou nova, seja mais mainstream ou mais alternativa. Este extraordinário blog deve-lhe grande parte da sua consabidamente extraordinária banda sonora.
Os seus textos reflectem o impeccable taste e a composure, always so graceful and balanced que o caracterizam. Por isso, são especialmente deliciosas as surpreendentes confissões e as arrebatadas declarações com que de vez em quando nos brinda. Lembro o sorrateiro crivo a que submetia as desprevenidas candidatas aos seus sedutores avanços***; a confissão de ocasionais cedências a um alegado lado piroso e lamechas (musicalmente falando, claro); a ferocidade estética que o move a listar e a acalentar certos ódios de estimação e a recente revelação de que por vezes cede à preguiça e, sobretudo, do modo sui generis como combate tão perniciosa inclinação, autoflagelando-se num expressivo e contundente francês. Last, but by no mean the least, este nosso defunto professa recorrentemente o seu inabalável romantismo, em lindas alusões ao amor eterno, perfeito e indestrutível, com que se sonha e por que vale a pena lutar, e à expectativa de felicidade e de paixões vindouras. Tudo isto em versão coup de foudre e com Paris como cenário, de preferência.
É claro que o menino também pisa o risco e, pior, descamba. O seu manuelino cadastro, não sendo dos mais negros, regista o incitamento da desassossegada turba aqui do cemitério à elaboração de um portentoso ranking e reiteradas propostas musicais com linguagem que mereceria decerto a melhor atenção de Mrs. Tipper Gore. As suas proezas neste domínio valeram-lhe, aliás, para além de uma ou outra reprimenda, uma condenação às galés e uma decapitação.
QUEM É ELE, QUEM É?
Desafio todos os interessantes cadáveres jacentes neste cemitério e todas as estimadíssimas almas penadas que nos visitam a dar-lhe os parabéns, claro. Mas duma forma diferente: hoje, excepcionalmente, somos nós a dar-lhe música.
Eu começo. Escolhi esta. Porque sei que gosta dela e desta versão. Porque festejar os anos é celebrar a vida e é o sonho que comanda a vida. E porque este dia é sempre mais feliz quando se partilha o palco com aquela que estava lá connosco naquele que foi o nosso primeiro dia.
* Sim, esse, o da mano de Dios, who else?
** Digo-o eu que os li todos, sempre com o maior gozo e proveito (com excepção dos inspirados trechos em matéria de bola, naturalmente por manifesta incapacidade minha).
*** Que o próprio prontamente confessou ter há tempos abandonado, sem nada, contudo, adiantar quanto ao/s que presentemente o substitui/em.

















Nome e coordenadas de navegador, possivelmente residindo em solo italiano?…
Não, esse é do Sporting! O defunto aniversariante é outro e está a baralhar-me o esquema tudo, a oferecer músicas a total despropósito, e a desoras …
Joana, apesar de imerecidos, agradeço as palavras, a música e o desafio, que me fizeram sentir mais lamechas do que a ouvir o Neil Diamond. Ainda tentei desviar as atenções para o Vasco mas parece que só o António Eça enfiou o barrete. Muito, muito obrigado :-)
Áhhhh!… O Diogo Leote, claro.
Essa do R. W. não lhe parece um bocadinho exagerada, Joana Maria?
E ele foi decapitado onde? Na Dególida?
Diogo, se for o caso, parabéns e uma calorosa lufada de enxôfre!
António Benedito, deixe-se de bocas e trate mas é de preparar e publicar um lindo post musical para o Diogo! Vá, vá, andor! Convinha ser ainda hoje …
Muito obrigado António. Parece que foi o único a deixar-se levar pela minha manobra de diversão para Milão… E, se vir por aí a minha cabeça nas mãos de alguma alma feminina deste cemitério (não me atrevo a dizer quem, não vá ainda ficar sem mais alguma coisa), faça-me o favor de juntar as tropas nortenhas para ma trazer de volta…
O que eu tinha a dizer a esse senhor já lho disse no facebook. E mais não lhe digo porque a inveja é uma chaga que não deve ser exposta.
Zé, muito obrigado. E o facebook também agradece, parece que as visitas à minha página bateram todos os records desde que por lá passaste. Um abraço.
Tá bem Diogo, se for preciso chamam-se os SD’s. E parabéns! Que tenha um óptimo dia!
Tá bem, Joana, vou fazer isso (diacho, como posso eu surpreender um cachaleote — ou será um eleofante? — de memórias melómanas?!…)