Sob o risco de vir a ser trasladado pelos meus co-bloggers, e voltado a enterrar lá para trás, ao pé do muro deste cemitério, onde só há campas rasas e enfeitadas com cruzes sem nome, decidi expor aqui, em público, o rol de alguns dos meus maiores e melhores falhanços literários. Sim, títulos de renome que, por ter ido de férias para paragens não propícias à leitura, ou porque leituras mais estimulante se atravessaram pelo meio ou porque estes se revelaram chatos como potassa, ali ficaram, semi-lidos, abandonados, sobre a mesa-de-cabeceira ou na borda de uma estante até que, resignado e envergonhado, os levei definitivamente para o cemitério dos livros não lidos, que fica numa prateleira bem alta do meu escritório, que a vista não alcança e onde o embaraço não chega.
Aqui têm então, uma parte da minha lista da vergonha, toda de uma vez.
Ulisses — James Joyce — pág 112
Light in August — Faulkner — pág 56
Mau Tempo no Canal — Nemésio — pág 62
The Picture of Dorian Gray — Wilde — pág 91
A Peste — Camus — pág 25
A Ilha do Tesouro — Stevenson — pág 195
O Idiota — Dostoevsky — pág 86
Lost Horizon — James Hilton — pág 45
Os Sete Pilares da Sabedoria — Lawrence — pág 139
My Name is Red — Pamuk — pág 38
The Cleft — Doris Lessing — pág 63
Espero que tenham lido tudo depressa e com os olhos fechados.

















Bem, destes só li quatro: Dorian Grey, A Peste, A Ilha do Tesouro e o Idiota.
O caso de Ulisses foi drástico: abri a meio, li um parágrafo, fechei — e assim ficou. Talvez um dia lhe pegue de novo, quem sabe.
Vasco: o Mau Tempo no Canal merece uma segunda tentativa. Sentado a olhar o Pico de preferencia. O Faulkner e o Dostoievsky merecem todas as tentativas. De resto só li o Camus e a Ilha do Tesouro. Mas tenho uma lista ainda mais vergonhosa de livros que não li e doutros que não quero ler por ainda mais vergonhosas razões. Decidi, por exemplo, que a Doris Lessing é uma velha chata que vive com gatos. Mas não me adianto muito porque vou surripiar-te o tema e voltar á carga num post.
Subscrevo uns quantos não lidos: à cabeça o Joyce. Já o Stevenson li, reli, fiz tese e arrumei no canto dos esquecidos e ostracizados. Wilde, a história é gira, o livro uma seca bestial. Nos portugueses: sou uma inculta, estrangeirada impenitente, basicamente ignorante e levo séculos a ler em Português.
Vasco, que ideia e que post mais lindos!
Concordo com o Pedro quanto ao Mau Tempo no Canal. É dos meus preferidos. Try again.
Este teu post colocou-me num enorme dilema — ou me solidarizo com o teu desassombro e revelo uma ínfima parte (em todo o caso, quase tão extensa como a lista dos santos patronos … ) da prateleira mais alta da minha estante e sou imediatamente banida deste extraordinariamente culto cemitério, ou fico aqui muito sossegadinha, à espera que outros garbosamente avancem … Parece que já há voluntários e tudo …
Sou inconstante em muitas e tantas coisas que se fosse embaraçar-me com isso vivia num rubor que me tomariam por um camarão… Mas, aos livros, até que tenho uma persistência de perdigueiro e sigo, falando mal e resmungando entre dentes, até bater página final e dizer: “enfim, vais agora calçar mesa pensa!”. Como entre as boas coisas da vida está a dessemelhança, dos teus desassossegos gosto imensamente da Ilha do Tesouro, Dostoievsky sempre, sempre me dá prazer e o Dorian Gray é relido uma vez por ano (mas há outros e tantos renomados que nem começo para não ter que os abandonar…)
Espero, agora, o post do Pedro e a definição da Joana…
Vasco, espere que vou consigo: os livros da minha vergonha são tantos que também me condenarão ao fundo dos fundos, rente ao muro.
Parabéns pelo Ulisses…112 é obra!!!!
Vasco, pois eu tenho um hábito ou defeito ou sei lá o quê estranhíssimo. É-me difícil levar um livro até ao fim. Tenho sempre vários que leio e releio ao mesmo tempo. Gosto deles. Chego a entusiasmar-me com alguns (por defeito de fabrico, ou mera formatação, leio muitos livros, por assim dizer, teóricos), mas inexplicavelmente, não os acabo. Tenho disso uma lista interminável e é questão para resolver numa terapia porque eu não sei como explicá-lo.
Mas que belíssima ideia para um post! Desta lista uns sim, li (Nemésio, Wilde, Camus) outros nem tentei, outros acho que também já lá não vou.