Nunca consegui desatar-lhe os silêncios sobre esse tempo em que Portugal se estendia do Minho a Timor. Ao longo dos anos, fui tentando com viagens preencher alguns espaços em branco. Não era atitude consciente. Mesmo sem planear conheci, além da minha África, quase toda aquela onde ele esteve. Nem por isso me falou dela. Até me faltar, sem Angola, apenas o país mais longínquo no seu percurso. E o mais enigmático.
300 km de distância separam-nos agora. Com telefone separam-nos três segundos:
“Pai? Desta vez tem mesmo de ser. Vou a Timor”.


















Tão gentil o telefonema. Adorava, quando a minha velhice for reiterada, que me perguntassem assim.