Ele fica quieto, numa terra que é só dele, horizonte no olhar. Tantas vezes. Conheço-lhe desde sempre este olhar mudo. O mar em frente protege-o: quem não se embala a olhar o mar? Mas às vezes o mar em frente é de pinheiros ou laranjeiras ou hera na parede. E o mesmo olhar.
Da sua involuntária geografia viajada nunca falou senão por episódios anedóticos e definitivos. Tantas vezes olhei os mapas a desenhar sem caneta as linhas por onde os navios deviam ter passado. E os portos onde o teriam deixado.
Tentei adivinhar-lhe os passos de botas cardadas, as pernas camufladas, os medos. Ele dizia sempre: a guerra não é para meninas. E tudo o que conheci da guerra foram os intervalos.
Desses nunca esqueci um olhar nascente e a frase repetida:
— O amanhecer no Ramelau foi das coisas mais bonitas que já vi na vida.


















Olá Teresa!