Lindos (red) livros, 3

Parece que os espertos do marketing dizem que quando não se consegue fazer uma coisa boa, faça-se pelo menos grande. E se não se consegue grande, faça-se vermelha. Graças a Deus. (Que, se existir, é de certeza bom, grande e vermelho, acrescento.)
Este meu lindo livro, terceiro da série deles, junta, nos seus 15,5 por 22 centímetros de envergadura, que para o que é não é grande, duas qualidades: é bom e é vermelho.
“Red”, escrito por Stéphanie Busuttil-César, é uma pequena jóia para os olhos. Capa dura revestida a tecido, é vermelho por todos os lados por onde se olhe. Na capa vermelha tem gravadas, em baixo relevo, as letras RED, a vermelho, e a vermelho foi tinta a superfície exterior das folhas. Não é um livro, é a perfeita capela celebratória da mais bela e convulsiva das cores.
Abre-se e tem pouco mais de 10 e convictas páginas para nos dizer o que nosso cérebro nos diz sempre que vemos uma coisa vermelha: “Agarra essa coisa, agarra-a depressa, mesmo que ainda não saibas para que serve, agarra-a porque é vermelha.” A partir daí e até à página 300, o livro é um festival de imagens reproduzidas num papel creme, de 150 gramas. Pintura, fotografias, é uma generosa e vermelha iconografia que atravessa os tempos, a geografia e os géneros.
Gosto tanto que não consigo dizer mais nada. Prefiro mostrar-vos três, apenas três das mais gloriosas expressões de que, vermelho, o vermelho é capaz. 

Esta imagem da americana Sandy Skoglund
é um portento de luxo, erotismo e teatralização.

Valley Curtain é uma soberba intervenção de Christo.
Megalómana, sumptuosa, gloriosa explosão
do vermelho no rosto da paisagem.

CLaude Lêveque imaginou esta instalação.
Tem toda a razão

Comentários a “Lindos (red) livros, 3” (5)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    NOTA: ESTE COMENTÁRIO NAO ESTÁ ESCRITO A VERMELHO, MAS É COMO SE ESTIVESSE

    Lindos, Manuel! O livro, absolutamente! Não vou sossegar enquanto não me apoderar de um exemplar — to whom it may concern: de forma, em princípio, legítima. E este seu red-loving texto. É claro que Deus é grande, bom e vermelho. E que o Céu é vermelho, quente e animado. O inferno? O Inferno é branco, gelado, deserto e silencioso — como tão bem o Francisco aqui o descreveu (http://www.etudogentemorta.com/cemiterio/roald-amundsen/). Haverá pior castigo?

  2. Turmalina diz:

    Adorei a primeira imagem..estou mesmo gostando dos vermelhos…

  3. Luciana diz:

    Está vendo Joana, era contra isso que o Pedro queria nos proteger? Ah, o prazer do vermelho. Obrigada Manuel, eu bem sabia que valeria a pena esperar o afamado sobe e desce às estantes…

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    Many thank, estimadas adoradoras do vermelho. O livro merece todas as invejas, mesmo as mais rubras invejas.

  5. José Navarro de Andrade diz:

    A cortina do vale era laranja!

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