Destiny Hope é o seu verdadeiro nome. Porque os pais acreditavam que she would accomplish great things. Por ser muito sorridente passou a Smiley e daí a Miley foi uma questão de tempo. Porque a sorte se constrói, Miley Cyrus, sempre pela mão do pai, o cantor country Billy Ray Cyrus — imortalizado pelo dificilmente igualável Achy Breaky Heart — começou cedo uma impressionante carreira, que inclui vários milhões de discos vendidos, inúmeras nomeações para vários prémios, alguns dos quais ganhou. A série da Disney Hannah Montana, em que contracena com o pai Billy Ray e representa uma girl next door que é também uma secret pop star, fez dela uma estrela à escala global, ídolo de milhões de crianças e pré-adolescentes. Por tudo isto, foi incluída em 2008, com apenas 15 anos, na lista das 100 Most Influential People in The World da revista Time (sob veementes protestos de vários outraged readers). No mesmo ano, a Forbes atribuiu-lhe o posto 35 na Celebrity 100 list, tendo subido seis lugares, para 29, em 2009. Perto de completar 18 anos, procura libertar-se da imagem de criança-vedeta. Para tanto protagonizou já um pequeno escândalo, que envolvia fotos suas moderadamente sugestivas, de costas desnudas, envolta num lençol, lançadas na net, em 2008. Seguiram-se vagas de indignação parental e o pedido de desculpas da praxe. Soube-se, depois, que as fotos eram de Annie Leibowitz, se destinavam à Vanity Fair e que a sessão decorrera na presença e sob supervisão dos seus dedicados progenitores. Na mesma senda de emancipação da Hannah Montana, lançou dois discos a solo (o terceiro sai agora em Junho) e participou nos filmes The Last Song e Sex and The City II.
A notícia da sua vinda ao Rock in Rio foi recebida com euforia aqui em casa. O dia de ontem foi aguardado, ansiado, sonhado pela minha filha Teresinha (e pelas manas grandes também, embora elas jurem que não). Oficialmente era o “Dia da Família” na Bela Vista, com um cartaz adequado, muitos eventos e diversões. Porque levo já muitos anos disto, fui só ao anoitecer, para desfrutar o main course com as crianças em bom estado. Sorte minha, ainda assisti, no Palco Sunset, ao divertido mano a mano entre Luís Represas e Martinho da Vila. Estava um mar de gente – 88 000 pessoas — crianças por todo o lado, algumas já em estado catatónico, pais (daqueles muito esforçados) com ar exausto e já pouco estóico, após terem suportado os DZRT e horas em filas para que aos rebentos lhes não faltasse nada (pipocas, gelados, uma volta na roda gigante ou na montanha-russa, anéis fluorescentes e perucas, uma guitarra insuflável oferta do principal patrocinador do evento). Mal os pobres sabiam o que lhes estava ainda reservado: porque a pequena estatura dos fãs de Miley não lhes permitia vislumbrar os écrans, quanto mais o palco, no meio da multidão, era preciso erguê-los – às cavalitas ou ao colo — e assim permanecer …
Quanto ao concerto propriamente dito, Miley chegou, viu e venceu, sem dificuldade. A rapariga é pirosa e totalmente produzida, pouco espontânea e nada interactiva com o público. Tudo o que profere se reduz a um rosário de clichés e lugares comuns, claramente seguindo um guião standard. Os atuendos que envergava, decerto judiciosamente escolhidos para lhe conferir a tão almejada imagem sexy, em nada a favoreciam — bem pelo contrário, sobretudo o primeiro, umas absurdas hot-pants que lhe realçavam as pernocas rolicinhas. Mas para além de tudo isto, devo dizer que me impressionou muitíssimo a desenvoltura e o à vontade em palco, a energia e a segurança e, porque não dizê-lo, o controlo e o profissionalismo de uma miúda com apenas 17 anos. Miley Cyrus canta e dança, não pára quieta e interpreta as suas músicas com a convicção única de quem gosta muito delas e do que faz. E depois, valia a pena ver as caras encantadas e quase incrédulas de tantas meninas e alguns meninos que, deliciados, cantavam em coro todas as suas músicas, do princípio ao fim.
Fiel a um dos lemas que regem a minha vida – se não podes vencê-los, junta-te a eles – tinha feito o meu homework. Vasculhei o You Tube em busca de músicas e coreografias. Toquei-as, decorei-as, trauteei-as. Ensaiei meneios e gestos. Tamanha devoção alarmou a Teresinha que, há dias me inquiriu, séria: “a mãe não vai para lá cantar e dançar assim, pois não”? Respondi, evasiva (e sabedora do que grande parte das minhas amigas andava a tramar): “não, claro que não … mas se as outras mães fizerem, eu também faço”. E fiz. Can’t be tamed, 7 Things, Robot, Party in the USA, When I look at you, Start all over, See you again, The Climb, entre outras – cantei-as, dancei-as, executei as apropriadas coreografias. Com a Teresinha e os seus 25 kg sobre os ombros metade do tempo (valeu-me a sempre generosa Madalena, com quem partilhei tão pesado encargo). Foi muito, muito divertido. Mas duro, muito duro. Hoje estou que mal me mexo…

















Por jeitos milagrosos consegui tornear tais provações, pois cá em casa mora uma indefectível da miúda. A entrevista e as fotos da vanity fair são notáveis e ela é um fenómeno de inteligência profissional. Cruzemos os dedos para que não caia nas emboscadas de Britney Spears e Lindsey Lohan. E já agora parabéns pelo estoicismo.
Obrigada, JNA, nem imagina ao que se poupou! Também espero que a Miley se aguente e não se despiste como as outras — mais complicado que ser criança-vedeta é conseguir deixar de o ser, reinventando-se ou mudando por completo de vida …
Joana, eu sei que mãe é mãe e tudo o resto que se associa, mas… 88 mil?
Só lhe posso desejar uma rápida e criteriosa recuperação (tímpanos, braços, pés e o mais que seja).
Obrigada, António, o pior são os ombros e as costas … Acho que encolhi uns bons 10 cm de altura. Não sei se pendurando-me numa barra ou numas argolas (daquelas dos jogos olímpicos) conseguirei recuperar ao menos uma parte …
Faço minhas as palavras do António (se ele consentir, claro…)
Obrigada Luciana, é claro que ele consente, então são votos de melhoras, é para o meu bem! Assim a dobrar, vai resultar mais depressa!
Joana, Madalena, Joaninha e Teresinha:
Tenho a certeza que eram as mais simpáticas, adoráveis e executoras das melhores coreografias among the 88 mil
E estás absolutamente certa, minha linda! Mas requereu muito esforço e treino! Um dia destes fazemos-te uma demonstração e podemos, inclusivé dar dicas e emprestar cds …
Que performance… Está, por assim dizer, justificada a sua ausência na área dos comentários.
Uuf (como diria PMS), que família, tal mãe tais filhas…
Antes assim, Orcama … não sei o que seria de mim (e delas, pobres) se as meninas me tivessem saído desanimadas e bisonhas …
Aqui sou o lado mais assentado da família… já fui com meu filhote ao cinema 5 vezes em uma única semana para assistir Harry Potter e A Ordem da Fênix.Ele simplesmente apaixonou-se pelo filme e voltou ao cinema as tantas vezes necessárias para que decorasse todas as falas.Não foi tão ruim assim, afinal eu gosto de uma telona e particularmente do Sirius Black e da Bellatrix. E também não foi ruim sua fase de Hannah Montana. Alguns episódios eram bem divertidinhos.Essa fase passou rapidinho e acho que em seguida começou a do Drake & Josh. Enfim, faz parte essa interatividade toda.
O pior mesmo foi quando ele e os primos apareceram com o show do tal dos Jonas Brothers.Resolvemos o problema de forma bem democrática. O cara metade e o meu cunhado levaram as crianças ao show e eu e minha cunhada fomos ao cinema. Uma justa divisão de tarefas.As crianças voltaram roucas e os corajosos pais, surdos.
Liiiiiindo Turmalina! Esses Jonas Bothers e mais o outro menino cantor, o Justin Bieber (eu nem sei como se escreve) são a praga que se segue … O que vale é que isto passa … já lá vão a Barbie e as Bratz, o insuportável High School Musical, o tonto Camp Rock … Continuamos, é certo, em pleno delírio vampírico com o Twilight ..
O seu filho tem bom gosto, Turmalina, esse Harry Potter é aquele em que mais aprece o Sirius Black, um dos meus personagens preferidos, para além da Bellatrix, claro, que escusava de lhe ter feito o que fez, ainda por cima primos e tudo …
Passei o fim de semana com uns amigos. A filha mais velha deles passou o fim de semana recolhida no seu canto, lançando-nos desdenhosos olhares de desprezo e lendo orgulhosamente o “Miles to go” — a hermética autobiografia da menina Miley Cyrus.
Isto porque lê livros importantes e nós somos uns velhos e burgueses jarretas. Tem toda a razão. Afinal fez 10 anos a semana passada e tem direito a pensar pela sua própria cabeça..
Esse maravilhoso livro creio que já deu entrada cá em casa, embora não tenha conseguido destronar a xaroposa saga Twilight … Em todo o caso, a coisa está mais calma … das mais velhas anda uma a ler Agatha Christie e a outra os Avalons da Zimmer Bradley, o que em pleno período de testes não é nada mau …
Joana,
estive lá também com a Teresinha e a Inês. Não conseguia descrever melhor o que sent,i é que estou 120% de acordo. Com a agravante que às tantas a Teresinha afirmava que lhe doíam os ouvidos e a cabeça e que já chegava de Hannah.… beijos
Cristina, companheira de infortúnio, sê bem aparecida aqui no cemitério e vê se recuperas agora … Dize-me, não levaste o esposo porquê? És mesmo má, tu, às vezes!
Foi o máximo, não foi?
Fui testemunha de que o teu esforço de “acompanhar as outras mães” (referias-te a mim?!) foi, vá, equilibrado, pelo entusiasmo inevitável que a pequena Miley gera em nós, mulheres frescas do séc. XXI. Adorei, ía outra vez, e de novo contigo :)
Anita, filha, o esforço de acompanhar as outras mães, ainda bem que te não apercebeste, traduziu-se num dificílimo exercício de moderação da minha vitalidade, energia e natural talento para a dança e o canto, em ordem a nivelar por quem estava próximo, para que ninguém se sentisse desajeitada e/ou inibida, ante tão extraordinária performance ;) Foi o máximo, pois!
Joana, li tudinho o que escreveu sem sequer me atrever a respirar, ouvi a seguir os dois videos e sinto-me como se tivesse, in illo tempore, chumbado o exame de admissão aos liceus. Handicapé absoluto. Ai, Horácio, Horácio, em que céus e terras é que tens sonhado…
Olá Joana;
Hihihihi, como te percebo e mto mto bem, a tua descrição é fantástica! Aqui por estes lados como é masculino não tenho Miley Cyrus, mas já tive os desenhos animados do Pikachu entre outros e o que durou mais, até à bem pouco tempo foi a luta livre World Wrestling Entertainment, Inc. (WWE), ou mais conhecido pelo Wrestling, que quando ouvi o Miguel falar pela 1ª vez, eu mais parecia um boi a olhar para um palácio……
Quando este tipo de luta veio aqui a Portugal ao Pavilhão Atlântico e o Miguel pediu-me para irmos ver, fiz precisamente o que fizeste, fui para a Net e entrei numa pesquisa desenfreada, vi vários vídeos, tentei perceber o objectivo deste desporto e decorei vários nomes de jogadores, isto para puder falar com ele e com os amiguitos no dia do espectáculo, pretendia ser uma mãe actualizada e informada! Apesar de achar este tipo de desporto uma perfeita idiotice e sem nexo nenhum…
Enfim…. O que uma mãe não faz pelos seus filhos… TUDO! E é com estas pequenas coisas que lhe ficam gravados na memória e mais tarde tornam-se histórias para contar aos seus filhos. Desejo-te uma rápida recuperação e força para o próximo desafio.
Paula, olha que entre o wrestling e a Miley … talvez a Miley, apesar de tudo …
Eu por acaso até achava queridos alguns dos Pokemons, para além de que aquilo exercitava à brava a memória dos anjinhos: tinham 4 ou 5 anos e sabiam de cor o nome, as característocas e os super-poderes de todos os, salvo erro 153 (154?) dos danados dos bicharocos! Depois disto, as tabuadas foi canja, claro!
Afff…nem me lembre dos Pokemons e os respectivos cards.Depois vieram os games com os tais bichinhos, silver, gold, diamond, pearl e etc. Essa febre durou uns bons anos.Teve um ano em que num aniversário comprei bolas de isopor ocas e pinte-as exatamente como pokebolas.Foram exatamente 48 que depois enchi com balas, guloseimas e miniaturas dos tais bichinhos.Não sobrou uma e até hoje tem criança, hoje adolescente, falando dessas bolas. Coisa que só mãe mesmo faz.
Achei engraçada a distinção que a Paula fez quanto ao programa da Miley. Aqui, meu filho e muitos dos seus amigos sempre assistiram à todos os programas, como Hannah Montana, Zack & Cody, os Feiticeiros de Weverly Place e até mesmo a Zoey Spears.Por aqui não existe um rótulo de programa para meninos ou meninas.
E nem mesmo nos esportes, aqui as meninas praticam de tudo.Meu filho não é muito das lutas e artes marciais, seu negócio é a bola em todas as suas variações.Já assisti jogos de ping pong, tênis, softball e futebol. Seu desestressante favorito é ficar jogando a bola na cesta de basquete que tem ao lado da garagem. Outro dia escutei um zumzumzum sobre o Rugby, mas acho que passou.
Joana, fiquei derreada e nem sequer lá fui..