É um país que sopra as velas. Timor-leste nasceu a 20 de Maio de 2002. E parece que a ilha inteira desceu a Díli para fazer nas ruas a festa da indepedência. Foi assim há 8 anos.
Eu andava nas ruas com uma mini-câmara de filmar, pessoas com mais de 60 anos vinham ter comigo e queriam gravar declarações patrióticas em português quase fluente. O que tinham sofrido para viver aquele dia. O valor de empunhar uma bandeira e exibi-la sem medo.
Os jovens só falavam o bahasa indonésio, mas levantavam as cores do país como um coração ao alto.
A máquina de filmar desmaiou com a humidade. As máquinas das fotos não. Tinha levado uma polaroid e andei a oferecer quadradinhos a todas as famílias que pude. Muitos nunca se tinham visto num retrato. Riram muito quando se viram a aparecer lentamente no cartão brilhante.
E ficaram com um registo em papel deste dia, que há-de, espero, desbotar mais cedo que a memória.
O que sobreviverá deste dia nestas pessoas?






















Estupendas estas tuas fotos de fotos, Teresa!
Gosto tanto que estou a pensar em fotografá-las.
Ouvi hoje na BBC World Service, a história da invasão de Timor pela Indonésia e as descrições das atrocidades que o exército Indonésio cometeu sobre a população. Na ilha tinha ficado apenas um repórter estrangeiro, um australiano. Pensa-se que terá sido abatido com um tiro na borda de um cais no porto de Dili com mais umas centenas de pessoas que ali encontraram a mesma sorte. Ver agora as tuas fotografias é uma boa maneira de acabar o dia numa nota bastante mais positiva.
Obrigado.
Vasco, obrigada pela ideia das re-re-fotografias:)
As notícias referentes a Timor, entre 1974 e 1999, raramente nos deixam bem-dispostos.
Num dia máximo de alegria, esperaram-se notas positivas.
Mas este foi um dia mesmo singular: nos dias seguintes, a percorrer o país de ponta a ponta, foi raro encontrar sorrisos.
24 anos de Indonésia em cima: as pessoas perderam o hábito de sorrir.
Eu conheci aqui no Porto o repórter que conseguiu levar para fora de Timor a cassete do massacre de Santa Cruz, que teve enorme importância na denúncia internacional.
Jantei com ele, até lhe dei um desenho meu, e agora não consigo lembrar-me do nome…
Teresa, suponho que para muitos, os que têm agora 25/30 anos, sobreviverá a identidade necessária.
Espero que sim, vivi com grande intensidade esses dias míticos.
Grandes experiências!
Fui ver uns papeis e encontrei: Max Sthal.
António,
que boa lembrança esta: O Max Stahl é um herói em Timor. Nunca o conheci.
Se não fosse pela divulgação das imagens do cemitério, em 91, o processo teria tido evolução muito mais lenta. Sem provas dos massacres, não se teria criado a consciência da urgência de agir.
E se calhar ainda não existia um país novo.
Se calhar não, Teresa. Ainda bem que existem pessoas destas.