
Onde?
No antiquário. Diante daquelas medonhas, vá, ai que interessantes, colheres de sobremesa, ou de chá, adornadas com os Santos Apóstolos e que nos perseguem há que séculos num revivalismo que é já prova de eternidade. Pegue numa. Qualquer uma, tanto faz, olhe pode ser uma reprodução holandesa do século XVIII, é feia na mesma.
O quê?
— querido, vê que colher tão perfeita para eu te tirar os lindos olhinhos… quando os tiveres esbugalhados de entupidos de Bündchen.
Eu própria, só não o disse ainda por falta do bem essencial ao diálogo. E não, não estou a falar da colher.

















Pois é, pois é, e depois como come a mousse de manga de ontem, como? De colher de sopa?
E, porque querer retirar os lindos olhinhos ao querido? Para deixar de ver o quê? Olhar não rouba pedaço, como dizem lá do outro lado do mar, p’rás bandas de Turmalina e Luciana…
Orcama, olhar tira pedaço, tira.. da paciência!
Exacto, exacto!, Orcama.
O que é bonito é para se ver, ora essa…
Quer-se dizer, Eugénia, você anda à procura dum homem vendável (de venda), e isso nem sempre se arranja.
Eu disse nem sempre…
Errado, caro António, e quanto!
1. não procuro rapaz, há muitos, tão pouco vendável — o bem essencial em falta não é um rapaz, é “o” raio dum malvado que eu ame.
2. o que é bonito é para ver, claro. Mas hipocritamente, como quem é ceguinho..
3. tem de haver um módico de ciúme.
Sou uma espécie esquisita de ciumenta…tenho estertores de ciúme ante a livros, programas de tv, estrada, cds preferidos e por aí vai a lista de tudo que me rouba os olhos queridos. Mas, vez ou outra, vejo-me a dizer; olha lá, que moça mais — linda, elegante, gostosa, etc…
Mas, Orcama, roubar tira um pedaço sim e é da nossa paciência…
E, sim, Antonio (embora ainda esteja em processo de pedão pelo engodo futebolístico a que queria me atirar), o que é bonito é pra se olhar, desde que não no método braile, bem entendido…
Claro que roubar é susceptível de tirar pedaço… até o todo. Mas eu falei olhar — mesmo que descaradamente — cara Luciana, e aqui discordo! Que moça não gosta de ser olhada por masculinos — e até famintos, vá lá implorativos e, porque não dizer, convidativos — olhos?
Luciana, coincidimos na (im)paciência.. E quando somos nós a dizer, não vem mal ao mundo.
Orcama, estou aqui rindo de mim, e pensando no meu querido Freud…claro que roubar tira pedaço e que eu ia escrever olhar, mas agora já (me) entreguei, resta-me não perder o bom humor da próxima vez que algum eventual querido perder-se a olhar outra/roubar-me a paciência…
E sim gosto (gostamos) demais de ser devoradas com os olhos como por aqui dizem, mas que usem garfo e faca e guardanapo nos joelhos„ por favor…
E ainda me rio do meu lapso mais uma vez…
Luciana, parece impossível! Que má! E os ceguinhos?…
Eu responderia, caro Antonio, responderia, se não fosse tão suscetível a corar, não fosse ainda antes das 18hs e não tivesse cometido tão evidente lapso no comentário aí em cima…
(e, principalmente, não estivesse com olhos tão vermelhos e engasgos de perder Dennis Hopper)
É verdade, Hopper juntou-se aos “queridos mortos” daqui do cemitério. José Navarro de Andrade já lhe lavrou um primeiro obituário lá mais em cima. Nestas alturas gosto sempre de rever um pouco o que foram aqueles que, de algum modo nos fizeram sonhar e sair de nós mesmos. Quem não gostou de ser motoqueiro com ele?
O final de vida impressionou-me. Sobretudo pelas fotos, que aqui deixo:
http://www.celebitchy.com/103099/dennis_hopper_dies_at_the_age_of_74/
Realço — no artigo — a passagem dos três “bad boys” que casaram sucessivamente com a mesma mulher!!! tendo sido Hopper o primeiro. O olhar, por vezes, rouba mesmo pedaço.
Mr. Orcama…olhar não tira pedaço mesmo…talvez do lado de cá, aonde há tanta abundância para se olhar, não nos importemos tanto com a direção que o olhar masculino toma. Desde que se desvie mas volte à fitar-nos com aquela mesma paixão do primeiro olhar.
Eugénia…compreendo perfeitamente a sua colocação pois já tive vontade de arrancar os olhos do querido, mas passou…e pensando melhor eu devia ter tido, na época, o impulso de arrancar-lhe os ouvidos.
Estamos de acordo, cara Turmalina. Não devemos contudo esquecer que Homem é uma espécie em vias de extinção… a ser tratada com todo o carinho, devoção e condescendência pelos seus errantes olhares… Até porque para cada homem dizem existir 9 mulheres, daí…
Turmalina!, eu importo-me, aiai..
Ui! A mim também já quiseram arrancar uma data de coisas.
Mas eu não deixei!
Luciana, o Hopper morreu? Tenho ideia que estava muito doente, de facto. Também gostava dele, em particular no Apocalypse Now (mas aí também gosto de tudo) e no Blue Velvet.
Talvez esteja melhor agora, não?…
Azarucho o seu, António Eça, se tivessem querido como deve ser, até agradecia!
Eugénia, ninguém fez justiça ao seu post, já viu: é que as colheres são mesmo bonitas.
Claro que são bonitas.. se oftalmologicamente usadas!