É uma mania minha, já aqui confessada, esta de visitar museus de mãos dadas. Ontem visitei o Art Institute of Chicago. E confirmei o já intuía: é possível dar as mãos, naquele sorriso táctil que é um segredo só meu, a duas décadas de distância. Porque foi assim, só aparentemente separados por vinte anos, que ontem passeámos, à chuva, pela Paris de Caillebotte. Porque foi assim que vimos o Verão partir, foi assim que vimos o Inverno chegar, em religioso silêncio, encostados ao feno impressionista e impressionante de Monet. Foi assim que percorremos o Domingo da Grande Jatte. Foi assim que voltámos a respirar Cassatt, Sargent e Whistler, velhos amigos de Boston. Foi assim que bebemos um copo, solitários, na noite americana de Hopper. Foi assim. De mãos dadas por memórias que eram já minhas muitos anos antes de ter chegado a Chicago.

Georges Seurat, Un dimanche après-midi à l’Ile de la Grande Jatte. Art Institute of Chicago

Edward Hopper, Nighthawks. Art Institute of Chicago

Gustave Caillebotte, Rue de Paris, temps de pluie. Art Institute of Chigago

Grant Wood, American Gothic. Art Institute of Chicago

















A minha experiência no AIC é de deslumbramento, sobretudo porque não estava à espera. Ainda por cima tem 3 Amadeos. Gostava de estar aí, embora prescindisse a mão dada…
se quiseres aparecer prometo que não te dou a mão
Um grande museu indeed. Aliás, qualquer museu que tenha um Caillebotte se torna num grande museu.
Já tinha dito a alguém que é o meu pintor preferido?
grande pintor indeed!
E ainda falta o La Durée poignardée do Magritte, na sala ao lado dum Vieira da Silva, que não é dos mais bonitos.