Em 1974, Brian Ferry, na companhia dos seus amigos Antony Price e Eric Boman, desenhador de moda um, fotógrafo de moda o outro, resolveu transferir-se para Portugal durante umas semanas, para escrever as letras das dez canções que viriam a compor o seu quarto álbum de originais com os Roxy Music. Um dia, na praia, fizeram duas estupendas amizades. Elas eram Alemãs. Altas, deliciosas e já coradas pelo bom sol Português. Por coincidência, (passam-se sempre com os mesmos, estas coincidências) as duas meninas eram modelos profissionais, habituadas às catwalks de Milão e Paris e que naqueles dias (e noites) se passeavam pelos nossos Algarves em busca de sol e aventura. A partir desse dia, esta ilustre pandilha passou a encontrar-se todas as manhãs na praia, fazendo grandes passeios de barco pela costa Vicentina e saindo juntos ao fim do dia, explorando a ainda quasi-virgem vida nocturna Algarvia. Numa dessas noites, inspirado pela beleza bastante suis-generis das duas raparigas, e por vários copos de Mateus Rosé, seguramente bebidos entre uma sardinha e um bailarico, o meloso Brian, puxando de todo o seu charme de meia branca, propôs-lhes um negócio. Uma proposta à qual não poderam de forma alguma dizer não.
E assim, no final dessa noite, no canto mais verde que foi possível encontrar no jardim da casa onde Brian e os seus amigos pernoitavam, acenderam-se os holofotes. Às meninas, foram-lhes aplicadas umas fortes camadas de rouge e baton, pelo que de seguida lhes foi retirada, delicadamente, quase toda a roupa que traziam vestida.
Chamavam-se Constanze Karoli e Eveline Grunwald e para nossa sorte e deleite, ficaram para sempre imortaladas nesta fotografia. Os redodendros algarvios também. O álbum chamou-se Country Life e viria a tornar-se num dos maiores sucessos de sempre da banda.
PS: Quem sabe por onde andaria o nosso José Navarro de Andrade nessa noite?


















Ainda tenho este LP!
Não fazia ideia deste episódio, claro.
Vasco, mais uma prova de que, por trás da grande música, há sempre pelo menos uma bela “petite histoire”. Apenas uma ligeiríssima correcção, não vá o agora elegantíssimo Bryan (que há muito deixou a meia branca) enfurecer-se: ao contrário de outros Brians plebeus, este é mesmo Bryan, com “y”.
Oops! Tens mesmo razão caro Diogo. Fica a correção e a atenção.
Abraço.
Ó desgraçado, então no Verão de 74 com 15 anos, estava já a treinar para o Verão do ano seguinte. Coisas de putos.