Aviso: as imagens chocantes associadas a este post foram retiradas pelos administradores, num gesto inaudito de auto-censura.
O ócio dominical, ainda por cima agnóstico, é pior do que o motor de uma Famel na planície alentejana: provoca as mais insensatas reflexões que saem de escape aberto e com um estardalhaço tonitruante.
Seja como for, dei comigo a pensar que ao domingo me parece errada a ideia de que os portugueses sejam um povo matarruano e insensível. Há uma certa delicadeza na raça. Veja-se por exemplo a forma popular com que a nossa língua designa o órgão sexual masculino. Pois, pilinha. Não é o isto, ou o aquilo. É a, de artigo definido feminino. E se for uma, é indefinido, mas é feminino na mesma. Ou seja, quando estamos descontraídos, entre os nossos, quando somos mesmo nós, sinceros, de abraços, meu velho amigo para aqui, meu querido amigo para lá, aquilo que define a nossa identidade sexual é menina. Mesmo pila, sem o diminutivo, parece o nome pelo qual a cabeleireira conhece com certa intimidade aquela simpática tia da linha que lá vai fazer brushing.
Repare-se que a inversa não é verdadeira. Em intimidade, e quando nos dá para a mariquice de fazer festinhas nas mãos dela, se tivermos de falar da contraparte, o mais que lhe chamaríamos era pombinha. A tua pombinha. Feminina, definida e singular.
Isto dá ideia da ideia que os portugueses têm da sua vida sexual e que é a de meterem uma menina numa pombinha. É preciso jeito, boas maneiras, um bocadinho daquela coisa artesanal da filigrana que se faz lá para a Póvoa de Lanhoso com anéis e arrecadas.
Acreditem que não escrevi este post sem aturada investigação linguística. Também os espanhóis, cheios de inveja de os portugueses terem uma menina onde têm, chamam ao seu nobre órgão la polla. Isto, de ser feminino o que de mais masculino um espanhol tem, e apesar do termo castelhano ser do tipo galináceo, desmente a nossa originalidade? É que nem um átomo!!!
Os espanhóis não nos chegam aos calcanhares. Vamos lá ver: depois, sabendo que têm uma galinha entre as pernas, os espanhóis designam por el, artigo definido masculino, o que deveria ser a sorridente e cândida identidade feminina: el coño. Tudo isto, deve provocar-lhes – só pode – as maiores confusões identitárias e deve até ser por isso que os chilenos, com um bocadinho de maldade, chamam “el coño” a qualquer espanhol que encontram, sobretudo quando ele vira costas.
Seja como for, nós na nossa gentileza, jamais meteríamos uma menina num sítio escuro que começasse por artigo definido de género masculino. O encontro feliz, aos saltinhos, de uma menina e de uma pombinha diz bem do povo que somos.

















Caríssimo Manuel “SaPilinha” Fonseca,
Essa exegese sobre artigos, substantivos, género… tem algo a ver com aquele provérbio de “quando as galinhas tiverem dentes”?
A tia da linha não é pilinha, é Pilita…
A mesma versão no masculino, o pirilau, é só para crianças.
Gosto de informar!
Manuel Fonseca, o que já me fez rir com a sua reflexão sobre a identidade de género do, olhe, do stuffing.
Caro Manuel — “Stuffy”, quiçá “Stuffing” — Fonseca,
Isso é lá coisa que se faça à nossa dilecta Eugénia de Vasconcellos, “de Malta e duas Sicílias”, e, já agora, se me permitido é, da Sardenha ? Logo a ela, deixá-la quase sem palavra? Modere lá os artigos, substantivos e “lailailai” … Não a deixe, como dizer, descomposta, de tanto rir… à sua custa…
Mas convenha, Comendador O.,
quem poderá descompôr-se, se é tanta a delicadeza de tão gentil encontro?
Manuel. Lembro-me de várias expressões bem portuguesas que vão um nadinha contra esta visão da gentil expressão sexual do nosso povo. Algumas, aliás, só podem mesmo dizer-se na terra do gentil António. Em qualquer outro lado seriam mesmo ordinárias. Seja como for, que belo post. E que domingo bem disposto!
Gonçalo, verdade, verdadinha, (e com excepção do microclima das antas e que não é para levar a mal) somos mesmo gentis. Ainda bem que gostaste Gonçalo.
Não sei porque é que te queixas do ócio dos domingos… que bela reflexão produziu, se bem que “as pombinhas da Catrina” ganhe um novo e vibrante significado, que talvez me impeça de voltar a cantá-la para o meu filho.
Olá Marta, mas também quem manda a Catrina ter tantas pombinhas…