02 Coisas lindas de românticas para dizer ao Grande Amor

Onde?
A toponímia da coisa, aqui, escapa-nos completamente. Ó. E logo a nós que gostamos de ter tudo sob controlo. Mas fazer o quê? C´est la vie. Há coisas que, as muito feministas que me perdoem, só sabem completa e inteiramente bem quando são os rapazes a tomar a iniciativa. Não, não é machismo. É verdade. Seria bom se acontecesse no cinema. Ou assins. Porque haveria um ponto externo onde convergir a atenção. Facilitador, portanto. Porém, um bocadinho de ruindade é indispensável. Dificultador. Porquê? Simetria! Reciprocidade! Isto é, na verdade: vingança. E tudo porque o raio do amor é uma nervoseira. Se não ficar feliz e aflita da primeira vez que o seu GA lhe der a mão, isto não é para si e eu estou cheia de inveja porque preferia que não fosse para mim: também acho mais sexy ser-se cool — o português às vezes até parece estrangeiro, não parece? Adiante. Sim, desta vez o Onde? é um Quando? Quando ele lhe der a mão pela primeira vez.
O quê?
Seja doce, feminina e delicada. Quando ele lhe der a mão, no exacto instante em que ficar com o coração a bater-lhe na garganta, diga ao malvado: querias dar-me a mão ou isso foi um movimento involuntário do bolbo raquidiano?

Eu própria, só não o disse ainda porque tal malvada mão nunca se deu a conhecer à minha. Sua feia!

Comentários a “02 Coisas lindas de românticas para dizer ao Grande Amor” (29)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Se calhar a Eugénia de tão distraída nem se deu conta, mas olhe que, na sua ilustrativa foto, entre o Grande Amor e a Menina Amada, se atravessou a grandíssima cabeça de um cavalo. Assim, não há mão que se atreva.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Você, Manuel Fonseca, até concedo que possa, eventualmente, perceber quelque chose de romantismo clássico, agora de romantismo contrariado, não percebe nada nadinha! A cavalgadura é fundamental, não só pelo pretexto bem apontado pela Luciana, mas porque é justamente um ponto de atenção. E acha que naquela altura as pequenas podiam ir ao cinema, à ópera, ou onde quer que fosse sozinhas com o GA?! Não! Assim, no hipódromo, em meio a meia dúzia de pessoas, o GA, poderia fazer uma festinha ao cavalo como se fosse à menina enquanto dizia: ai que lindo cavalinho que a menina tem.. E pronto. Foram felizes para sempre.

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Ó minha santinha da Sardenha venha um dia destes a Portugal. Mas algum dia foi preciso, em Portugal, que estivessem meninas sozinhas para que uma mão outra mão clandestina encontrasse? Quanto mais gente, mais aflita, urgente, de pressuroso desejo, uma, outra mão ataca, agarra, apalpa, aperta, estrangula, para que nenhuma a outra possua, uma na outra desmaiem e desta vida se libertem…

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Mas quem raio é que se quer libertar desta vida?! Os despropósitos que você pensa, Manuel Fonseca.. E qual quanto mais gente? Quem gosta de público, que vá para o palco.

  2. Luciana diz:

    Caríssimo Manuel, aí é que você se engana, a crina do cavalo, displicentemente acarinhada pode ser desculpa para o encontro das querentes mãos…
    Oh, Eugenia, que você parece adivinhar-me linha por linha e vou já tratar de aprender a falar mesmo com o coração na garganta, creio que a voz sai-me mais rouca, mas pode-se dizer sexy…

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Bolbo raquidiano, Eugénia?!!!…
    Assim até o cavalo perde as crinas, não há romantismo que aguente.
    E depois somos nós os insensíveis…
    Tá bem, tá!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Pois não, António Eça, alguém tem que pôr travão nas sentimentalidades, senão fica-se em calda de açúcar. E isso, há que convir, enjoa.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    A técnica correcta, do ponto de vista masculino, é esta (tenho de explicar tudo!): o mindinho direito aproxima-se com ar tímido do polegar feminino direito (para os não canhotos); não sendo de imediato repudiado, deverá tentar uma progressão no terreno, sempre bem camuflado (dos outros, que não dos intevenientes, em sinal de respeito); já tomado o monte de Vénus, resta espalhar os outros grupos de combate pelas falanges, falanginhas e falangetas ainda em desacato…
    Em poucos minutos o objectivo será tomado.
    E toclas!

    • Luciana diz:

      Era pra ser cínico, de um jeito bom, meio Bogart? A mim pareceu tão terna esta ocupação!

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Monsieur Antoine, não é para embirrar mas acho que há aqui para cima umas tremendas confusões anatómicas. Então vamos lá: se o parzinho está lado a lado e o mindinho direito dele avança, o primeiro obstáculo que encontra, e primeira posição dela a tomar, é o mindinho esquerdo. Se consentido o suave roço, e já entrelaçados os mais tímidos dos dedos, é a polpa dos outros que logo se atreve pela mão adversária, numa conquista que o coração saúda com vigoroso rufo de bateria. Só então, escorregando distraída, a mão procura a cilíndrica e sedosa consistência da perna que a saia já mal tapa. Do ousado guerreiro a mão, qual hoplita, procura agora correr pelo desfiladeiro entre as altas pernas fingindo que a uma tanto se agarra para a outra em certeiros golpes melhor sentir. Agora sim, a luta continua e a vitória é certa. E toclas.

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        Não quero cá escandaleira que isto é um post familiar, Manuel eScandaloso Fonseca! Veja lá se o cavalo lhe prega uma dentada!

        • Manuel S. Fonseca diz:

          Ó estimada Eugénia, nem imagina os jokers que já morderam o pó da estrada…

          • Eugénia de Vasconcellos diz:

            Os jokers, os batmans e os jockeys também. Se morderam o pó, é porque bem mereceram. Não cá peninha para vilanagem assanhada.

            • Manuel S. Fonseca diz:

              Eugénia, agora foi mesmo gentil comigo. Espalhei-me ao comprido metendo o joker no lugar do jockey e nada, nem uma censura, um sarcasmozinho, nadinha, só o seu olímpico acenar de olhos, toda feita catwoman. Miau you.

              • Eugénia de Vasconcellos diz:

                A culpa é do José Navarro que andou a grafitar por aqui que eu era mel e fel. Ora eu, que sou todinha mel, tenho de me esforçar por não o deixar por mentiroso. Faço um favorzinho, inho, inho, ao nosso Navarro e é assim que me agradece. Bela solidariedade masculina..

                • José Navarro de Andrade diz:

                  Como de noite desligo o ordinador, só de manhã dou por me terem invocado em vão. Se a minha queridíssima Eugénia não fosse também de fel, não teria escrito o que acabou de screcver a propósito de um inocente, cuja maior ambição é escapar ileso. I rest my case.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Estratega António Eça? Mão como terreno a ser ocupado..

  5. Joana Vasconcelos diz:

    Liiindo!

    É com grande alegria que registo a recente e riquíssima diversificação semântica do Gente Morta, do sempre apropriado e já clássico marido/namorado/híbrido para

    - “o cara metade” (by Turmalina)
    o GA
    o malvado

    Prova irrefutável da incansável dedicação do sector feminino deste blog à linda e meritória causa do amor…

    • Turmalina diz:

      Adorei o GA, principalmente nesse galanteio todo.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Joana, é a sistemática, como direi, relacional? O GA pode ter um dos três estatutos possíveis marido/namorado/híbrido que nem por isso deixará de ser, essencialmente, aquilo que é por causa da natureza que tem: o malvado.

      Dedicação e direi mesmo, devoção.

  6. António Eça de Queiroz diz:

    Bem, Manuel, bossamercê largou da mão e partiu à desfilada rio abaixo!
    Ora isso é outra competência. Não fui prevenido!
    Fraude no túnel!…
    Quer-se dizer, perto…

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Napalm ou água de rosas, Manuel?
    Eugénia: «mão como terreno a ser ocupado», na função de testa de ponte — como está bom de ver.
    Eu não sou como o Manuel Scandalous F., todo ele sofreguidão luxuriosa sujeita a armadilhas feminis. Eu, como se costuma dizer, apalpo primeiro o terreno, verifico, analiso.
    Não vou por ali abaixo aos saltos como um arganaz embriegado.

  8. Teresa Font diz:

    Ah, que em boa hora vos encontrei na pantalla dos lonely hearts…

    Cara Eugénia, claro que o cavalinho é indispensavel, corações descompassados precisam de descompassadas bestas a fazer companhia aos sentimentos-ou então, somos todos romanticos, como o Cid-o José?
    Não falemos nas referências cinéfilas-perigo, perigo, é preciso ter cuidad ou acabamos com um cavalo na cama, há precedentes.
    Infelizmente, nem sempre degolado.

    Mais a sua frase ao malvado, que lembra a outra-“isso é uma pistola, ou estás contente por me ver…”.
    desculpem qualquer coisinha, vai-se a ver falta-me é açucar. Bom almoço.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Tem razão em tudo, cara Teresa, desde a autoria da frase à sentença para precedentes que envolvem cavalgaduras com imerecido apreço pelas próprias cabeças agarradas ao pescoço.

  9. António Eça de Queiroz diz:

    Teresa Font, essa frase não era da Jane Mansfield?
    E para o almoço, posso servir-lhe uma viborazinha da Malásia ‘truffée’?

    • Teresa Font diz:

      António Eça de Queiroz, acho que a frase era da Mae West…ser da Mansfield era demais, já basta o que basta.
      (e tarde piou, que já comi uns restos de pizza. Melhores dias virão…)
      Melhores cumprimentos, T.

  10. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Antoine, ainda bem que arrepiou caminho e, como bom anfitrião, ofereceu a víbora já cozinhada.

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