
O actor Martin Sheen é um fervoroso católico. Era, e se calhar ainda é, um fervoroso anti-todos-os-Bush. Durante a 1ª Guerra do Golfo, veio com a família e um amigo, a Roma, falar com Madre Teresa. Sentaram-se, vénias, beija-mão e os olhos a chorar de realíssima admiração até ele lhe pedir para, Sister, Mother, convencer o Papa a levar o assunto – e o assunto era um, digamos, abaixo-assinado contra a guerra – a um tribunal internacional que ordenasse aos beligerantes a paragem do conflito. A irmãzinha perguntou-lhe com candura: “E eles obedecem?”
Sheen, o quiet american, embatucou. Recebido e percebido o recado, ajoelhou-se e a pequenina Teresa abençoou-o e abençoou a mulher e os quatro filhos dos dois. Deu-lhes, também, medalhas de santos. Martin Sheen lembrou-se então de que o seu velho amigo Marlon Brando vivia, na altura, um momento angustiante – a kind of a damsel in distress, se de Brando assim se pudesse dizer.
Pediu, por isso, a Madre Teresa que lhe desse mais uma medalha para esse amigo que era, explicou-lhe, um actor famoso. “Quem é”, perguntou ela, curiosa. “Marlon Brando”, disse ele, sonoro. “Ah, nunca ouvi falar”, respondeu a madre com escrupulosa ignorância.
Sheen regressou à minha parvónia preferida, os lindos USA, e, quando deu a medalhinha a Brando, contou-lhe toda a história, sem omitir uma que seja das minhas vírgulas, e já viram que são muitas.
“Confesso que Marlon ficou lavado em lágrimas. It meant so much to him”, contou com pontinha de orgulho Martin Sheen. E eu, que estive a chutar para canto para que não rolasse uma lágrima, reconheço que ainda gosto mais, agora, de Sheen e Brando, meus heróis de “Apocalypse Now”, o único filme, que eu saiba, todo em forma de rio.


















Estas afirmações são redutoras, mas este é um dos filmes da minha vida.
É… O filme é rico em combustíveis, labaredas, cinzas, fumos e cheiros… E de Islândia, não tem nada, mesmo nadinha…
Bom, vamos ter caldeirada, já se viu! Venho eu aqui com propósitos de devoto e “role model” e levo um puxão de orelhas de cair o Carmo e Trindade — então diga lá, santinha da Sardenha, onde é que a objectivissima narrativa foi redutora.
Você, MSF, merece tratos de polé! Eu disse que a sua narrativa era redutora?! NÃO! Apenas que a minha afirmação, tendo em conta os tantos filmes de uma vida, era redutora.
Ups!!!
E pensando melhor: É, é, agora disfarce!!! O que é que, em ser “um dos filmes da vida”, há de redutor. Se fosse “o filme da vida”…
Não me ouviu dizer boa noite? Em francês?!
(Não gosto muito de dizer coisas dessas assim. Mas é verdade, é um dos meus filmes.)
Bonne nuit, mademoiselle
Hello, Mr. Orcama, extraordinário visitante semântico!
Caro Manuel S. Fonseca,
Tem que revêr os seus conhecimentos de semântica Sassarêsa e Galuresa. Na Sardenha, não se fala só o Sardo…
É sem dúvida um dos filmes da minha vida. Curiosamente achei que o ‘director’s cut’ lhe tirou coerência.