Postais do Távora IV — Ponte do Espinho

António Eça, terá sido esta ponte o cenário de mais uma das suas delirantes peripécias juvenis, aqui relatada na semana passada?

 Transcrevo, para os menos lembrados: “Antes do enchimento da barragem o Távora era baixo e a ponte da estrada para o Pinhão bem alta. Pois eu estive pendurado por uma corda, dessa ponte, com três miúdos a segurarem a corda a partir de cima.Gerou-se grande crise quando percebemos que nem eu conseguia subir nem eles me conseguiam puxar. Tudo isto para ver se os ninhos das pombas, nos buracos da ponte, tinham filhotes…Felizmente passou um taxista fortalhaço que me tirou do aperto.”

É que está em tão bom estado que, ou não foi aqui, ou foi, entretanto, restaurada (e as pombas, despejadas, foram fazer ninho para outras paragens)

JV

Comentários a “Postais do Távora IV — Ponte do Espinho” (6)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Joana, cá para mim, foi mesmo aqui, com a diferença que quem estava a fazer ninho não eram as pombas, ero o próprio António Pombinho.

    • Joana Vasconcelos diz:

      A fazer ninho, não diria, mas a exiibir-se, como fazem os pavões (machos), pendurado da dita corda, qual Trazan do Távora, para impressionar alguma menina que decerto o observaria, enlevada, da margem. E digo-lhe mais, Manuel, a coisa ou correu mesmo mal, e ele não levou nada, ou, com sorte, correu muito bem, a menina condoeu-se dele e foi confortá-lo …

  2. António Eça diz:

    Claro que foi! Nos fechos do arco havia umas pirâmides que já lá não estão mas é esta sem tirar nem pôr. Como é uma estrada com algum movimento fazem-lhe obras com alguma regularidade.
    Quanto a ninhos, «seu» Salafrário da Fonseca, ainda não os fazia — a puberdade ainda só tinha batido à porta… Depois lá entrou — e foi o caneco.

  3. António Eça diz:

    Mas qu’é isto?!
    Maria! Joana! Agora faz pendant com herr von Phonnzekà? É?!…
    Eu não sou pavão — apenas doido e perfeitamente dentro duma velha e já muito longa tradição familiar, plena de cicatrizes nos pergaminhos (e não faço a mais pequena ideia quem possa ser esse ser sr. Trazan!).
    E toclas!
    (Sempre gostei muito do nome da Alice B. Toklas, dá uma onomatopeia com imensa assertividade)

    • Joana Vasconcelos diz:

      António Benedito, seu ingrato, então eu mando um postal do Távora só para si com a linda ponte, todo em tons a condizer e o menino pica-se com o Fonseca por causa dos ninhos e depois vem marrar comigo a trocar-me os nomes e a implicar com os resultados da minha veloz dactilografia! Eu não lhe chamei pavão, sugeri apenas que estaria porventura a exibir-se como um, tentando causar uma everlasting impression nalguma menina… O que seria, aliás, perfeitamente compatível com a outra saudável componente que se arroga e que em princípio me parece muito saudável e recomendável, visto que evita que nos levemos demasiado a sério… o que além de aborrecido, se torna embaraçoso…

      PS — Fui á wiki cultivar-me … não me diga que foi ali que foi buscar o Toclas!!! Ó valha-me Deus!

  4. António Eça diz:

    Li as memórias da G Stein, essa fauna riquíssima, há uns bons anos. Exactament por causa do retrato que o Picasso fez dela com um olho vasado. Fase azul, se me lembro.
    Não há ingratidão nenhuma: gostei imenso de ver a minha ponte. Mas você aboletou-se a más influências, é o que é… e eu ripostei! Eu era um nanico de 11 anos! Nessa idade em princípio destesta-se as miúdas, que só atrapalham. Depois tornaram-se muito compatíveis — mas só depois„,
    E não troquei nomes: foi a pressa de responder.
    E afinal que é o tal de Trazan?…

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