Sobre essa data, completam-se hoje 65 anos exactos. Para muitos, e para todos os efeitos, poderia ter sido ontem.
Nesses tempos, o Largo do Loreto, em Milão, era ainda um espaçoso Piazzale com relativamente pouco movimento. Nesse dia, no entanto, estava cheia, como um grande circo, talvez como o de Roma, uma vez, há muito tempo, lá mais para terras do sul.
Trouxeram-nos da periferia de Milão, numa camioneta, já mortos. Penduraram-nos ao fundo parece-me, do lado de lá da praça, onde está agora uma bomba de gasolina. Penduraram-nos de cabeça para baixo, com os braços estendidos, numa última, grotesca e invertida saudação fascista. O Benito, a Carla e os ex-ministros Bombacci e Pavolini. O Ex-Secretário do Partido Fascista Italiano, Starace, foi também trazido para a praça, e como estava vivo, foi executado com uma bala na cabeça, e pendurado com os outros, também ele, sem hesitações e pelos calcanhares.
Eram todos más rezes mas eram gente. Não estou seguro se da janela de casa da minha sogra em Viale Brianza teria o ângulo certo para assistir a tudo isto, mas penso que de qualquer modo me teria fechado em casa com vergonha de ser Italiano. Vergonha por toda a incongruência do que estava já, irremediavelmente para trás, e sobretudo pelo que, nesse dia, estava ali a acontecer.
E pensando melhor talvez não.



















É uma fotografia aterradora. Mas há nela pormenor que desde sempre me tem perturbado: apesar da brutalidade com que estes corpos foram tratados e exibidos, alguém se lembrou de prender as saias da Petacci, para que não ficasse com as “partes pudendas” à mostra.