Para ficar na sala mesmo até ao fim

Mesmo que não pertença ao restrito círculo de cinéfilos snobs que não arredam pé de uma sala de cinema antes de passar no écran a última linha de créditos do genérico final, há uma razão muito forte para que fique mesmo até ao fim da projecção em Shutter Island, o novo filme de Martin Scorsese. Lamento informar que não será ainda a tão aguardada explicação de Marty sobre as misteriosas razões que o levam a insistir em Leonardo Di Caprio para todo o tipo de papéis. It´s all about a song. Sim, uma canção que o fará dar por muito bem empregue esses seis minutos suplementares que permanecerá na sala. Uma canção que, só por si, justificaria um Oscar para o filme, não fosse este não ter estreado a tempo de concorrer aos prémios deste ano, e não lhe faltasse a ela, à canção, o requisito da originalidade necessário para receber a estatueta. Na verdade, é apenas um velho clássico de Dinah Washington (“This Bitter Earth”) adaptado a uma composição de Max Richter (“On The Nature of Daylight”). Se não quiserem levar com o Di Caprio durante duas horas e meia (duas horas e meia, apesar de tudo, muito bem passadas, como quase sempre acontece com Scorsese) só para terem o prazer de a ouvir, façam favor de a ouvir já aqui.

 

Comentários a “Para ficar na sala mesmo até ao fim” (2)

  1. Fausto diz:

    Boa noite Diogo,

    Acompanho o vosso blog sempre com elevado interesse. Obrigado pela dica. A música é, de facto, fantástica e ainda bem que a cita no seu blog porque não a ouvi no final do genérico de Shutter Island filme do qual gostei bastante. Di caprio vale pelo fervor que coloca em cada interpretação. Gostei muito de o ver neste filme. É interessante a substituição de De Niro por Di Caprio. Um processo evolutivo que faz sentido embora tenha grandes saudades das interpretações densas de De Niro.

    Obrigado,

    Fausto

  2. Diogo Leote diz:

    Boa noite Fausto,

    Agradeço o seu comentário. Di Caprio é um actor muito competente mas, na minha modesta opinião, não consegue transmitir a intensidade que certos papéis, como o de Shutter Island, lhe exigem. E, por muito que se esforce, acaba sempre traído pelo eterno ar de jovem imberbe que o acompanha.

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