O politicamente correcto…

… assume muitas formas.

Recentemente, face à tragédia que ocorreu na Madeira e às inevitáveis vozes do “se a coisa tivesse sido bem feita”, a grande maioria dos opinion makers e comentadores tratou de elogiar os presidentes da Câmara do Funchal e do Governo Regional (quando na maioria das vezes, excepto o sr. Presidente da Assembleia em dias não, aproveitam para chamar de tudo ao Presidente do Governo regional), bem como de dizer que aquela não era altura para se falar dos “e se…”.

A questão é que não é “e se”. O programa acima, do segundo canal da televisão de serviço público, menciona tudo. As características especiais da precipitação na Madeira, as características especiais das enxurradas na Madeira, a necessidade de evitar as construções na periferia ou no leito das ribeiras — e não se trata apenas de construções ilegais ou particulares; há equipamento municipal — a ausência de planos de emergência, a necessidade da existência de instrumentação capaz de prever o tempo de forma a se poder proceder à evacuação atempada e finalmente a negligência dos poderes local e regional na fiscalização, planeamento e no incumprimento da lei.

Agora é altura de se falar disto, porque, como se vê, ter falado antes não adiantou muito. E muito menos adianta fazer-se de sonsos e tecer elogios bacocos.

Mais.

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