O pato, a gaivota e a galinha

Konrad Lorenz — fotografado por (?)

O meu bisavô Manuel tinha um pato de estimação. Ele ia. O pato atrás. Ele vinha. O pato atrás. Onde quer que fosse. Pela casa. Ao café o pato ia também, só não bebia água Castelo. Se alguém, ao passar pela porta da rua, demorava, o pato grasnava a dar alarme. A minha bisavó Teresa:
– Manuel, não quero o pato dentro de casa. É um porco. É um horror.
– Ó Teresa, decida-se: o horror é pato ou é porco?
– Manuel!
– Teresa, pense que é um cão que grasna.


Ps: depois conto da gaivota e da galinha.

Comentários a “O pato, a gaivota e a galinha” (12)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    O bisavô Manel, assim, a confundir a ordem do mundo, é o meu herói. Venha de lá a gaivota que afinal é elefante e a galinha que deve ser um lindo gato.

  2. Joana Vasconcelos diz:

    Liiiindo!

    O meu Pai recebeu da minha Avó Madalena, de presente depois de um bem sucedido exame da 3ª classe, um pato, com um laço ao pescoço, que morreu de velho no jardim de lá de casa, em plena Foz.

    Mas isso foi depois — e suponho que por causa — do episódio ocorrido algum tempo antes, em que o mesmo menino, bem mais pequeno, estabelecera, sem ninguém dar por isso, uma bonita amizade com o gordo perú destinado ao Natal e que na capoeira aguardava o seu destino. Ainda hoje é raro o Natal em que não venha à baila a história daquele almoço estragado pelas grossas lágrimas do pobre Luisinho que, do seu lugar na enorme mesa, repetia, incrédulo, “o meu púúúú”, à vista daquela coisa assada. Dizem que sobrou imenso nesse ano …

  3. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Pois nós na Foz, Joana, era ainda viva a minha bisavó Maria José, divertiamo-nos bastante com as preparações natalícias relativas aos perús. Agarravam-nos, embebedavam-nos, cortavam-lhes o pescoço e depois era aquele espectáculo insólito com que tudo aquilo culminava e que tanto nos impressionava: os trinta segundos, ou mais, durante os quais o perú andava, fugindo bêbado e sem pescoço. Eram os bons tempos antes da ASAE.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Liiiindo, Gonçalo! Só comparável ao deleite com que os meus primos e irmão iam assistir, dias antes da Páscoa, na Beira Alta, à matança dos cordeirinhos coitadinhos! Aquilo era um nojo e um horror (lembro-me da barulheira, o pior de tudo)! Alguns deles, valentões, depois tinham pesadelos …

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      O Gonçalo leu a história de peru bêbado de António Eça & irmão?

  4. António Eça diz:

    Ia eu esboçar um memo e já a Eugénia recompunha a realidade. Obrigqado, Eugénia.
    Mas esse meu irmão — que deve andar por aí algures — teve também uma aventura om patos: tínhamos um pequeno lago na Granja e ele decidiu que aquilo era bom para criar patos; vai daí e encomenda quarenta (40 patos, 40) bichos do dia. Durante uns tempos andou entusiasmado a tratar deles — mas, como seria de prever, um dia fartou-se. E então começou a tragicomédia: mal tentava sair de casa lá ia uma imensa fila piante e amarela atrás dele, reclamando almoço e deslevos maternais. Houve momentos hilariantes, intercaladas de fúrias do «pato mor».
    Resultado: ao fim de duas semanas já ninguém podia ver os patos, que foram em alguns casos dados e, os mais crescidinhos, eventualmente comidos.
    Os nossos oito cães agradeceram a iniciativa…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Liiindo! António, vou passar as próximas duas horas perdida de riso a pensar nos seus 40 sobrinhos amarelos! Os meus alunos é que provalemente nunca irão perceber a razão do meu divertimento ante uma matéria tão (por assim dizer) densa e desenxabida como a da aula de hoje …

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      António Eça, quando penso que já não me vai surpreender, eis que, felizmente, me mostra o quanto estou errada.

  5. António Eça diz:

    E só levantei a ponta da cortina duma autêntica ‘sourcefull of secrets’ (hum-hum!…)
    Querem uma história antiga? Façam o favor de procurar aqui:

    http://zala.fotosblogue.com/94082/A-Carta-por-Antonio-Eca-de-Queiroz/

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