Lambe-lambe em Aracaju, estado de Sergipe, na década de 70 [Foto: Silas de Paula]
Nota — “Lambe-lambe” é o termo usado no Brasil para aqueles fotógrafos que montam seus “estúdios” no improviso das ruas e se especializam em tirar fotos para documentos, ou, eventualmente, fotos de passantes interessados em se autoregistrar por alguma razão premente. Trata-se de uma categoria profissional quase em extinção nos diascorrentes.
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Ó António Eça, como é que era cá na terrinha? Só me lembro de “àlaminuta” e de “olhópassarinho”, mas isso deviam ser devaneios coloniais…
Ainda apanhei, miudito, fotógrafos à la minuta em Cedofeita e na Rua do Bonjardim.
é manuel e pedro, aqui estão praticamente extintos. talvez ainda existam em pequenas cidades. nas metrópoles, se vai aos shoppings e há aquelas máquinas digitais automáticas. que te devolvem a tira de fotos por uma fenda. lembro-me de adolescente haver feito uma viagem a minas gerais e encontrado um típico ‘lambe-lambe’ trabalhando próximo a um viaduto, em belo horizonte. foi o último da espécime que encontrei por cá, numa cidade grande. nesta foto, o curioso é o arremedo de “fato” [ou “terno” como se diz por cá], que cobre apenas o estrito necessário para entrar em quadro. reza a lenda que o termo, “lambe-lambe” vem do fato do fotógrafo ainda aos tempos da placa de vidro lambê-la para saber ao certo o lado da emulsão. porém isso não passa de hipótese e wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fot%C3%B3grafo_Lambe-lambe
Existe uma beleza incomparável na pobreza à qual você se refere. O respeito do profissional pelo modelo em trajes um tanto estranhos aos olhos. Assim como a grandeza assumida diante da câmera.Era importante registrar um momento, nem que fosse numa versão em branco em preto e 3×4. Outra figura da qual gosto muito é o do realejo.
E como o meio-terno se ajusta ao rosto do retratado e o meio-torna de imediato um sério e enriquecido homem de negócios…
bem apanhado, teresa. um businessman, um high executive, em mangas de camisa e ventre de fora… na realidade. mas na ficção da foto — e lembro de turmalina comentar a tênue fronteira entre documentário e ficção — vaza-se o alto executivo.
Lembrando o crédito, a foto é do fotógrafo capixaba radicado no Ceará Silas de Paula e ganhou prêmio Nikon na década de 80.
Blog muito interessante. Obrigado por escrever :)
obrigado pela fonte. tomei a foto do ‘facebook’ de silas — isso num tempo em que eu ainda estava pelo ‘facebook’. mas não havia nenhuma indicação sobre a origem da foto; se a foto era dele, etc. apenas data e local. sua informação vem a completar o crédito.