Aos inolvidáveis inícios de livros que este blog está a coleccionar, junto agora mais uma colecção que me acalentou longas e repetidas férias de verão, quando as férias eram férias e a repetição um prazer. Há um início de livro que, por mais repetido que fosse, ou por isso mesmo, abria caminho para gargalhadas fundas de cansar o peito e preparar a sesta: “Nous sommes en 50 avant Jésus-Christ. Toute la Gaule est occupée par les Romains… Toute? Non! Un village peuplé d’irréductibles Gaulois résiste encore et toujours à l’envahisseur.
E porque, ainda e sempre, o início e o fim aí são aliados, é imperioso que o nocturno banquete final aqui figure em destaque rimado com a matinal calmaria inicial da aldeia. Cenas irredutíveis a.c e d.c. (antes e depois da ceia).
Fecha-se o círculo de conforto que retempera, o conhecido é que nos dá segurança, tudo está bem quando há javali, (ou o sumo de laranja que a mãe traz antes do sono da tarde ou o leite antes do sono da noite), antes que nova manhã e novo livro se abram pacíficos, como sempre, na nossa aldeia.
Tudo tão igual neste início que Goscinny e Uderzo até se esqueceram de soltar o bardo desde o anterior banquete final…mas tinha que haver zaragata porque, por acaso, até é das cenas que a nossa Joana gosta mais.




















Teresa, o que eu gostei deste seu postix!
Os começos são decisivos, os fins também (durante anos não resistia a ir espreitá-los …), mas em livrix como estes, há cenas do meio que são um mustix … como estas delirantes zaragatas com peixe à mistura. Cada vez mais me convenço ser aqui que radica etimologicamente a palavra “peixeirada” … :)
Joana, neste caso a zaragata é a primeira cena do livro!
Inseri um início tranquilo, um final tranquilo e mais outro início…tranquilo, apesar da escaramuça,
porque (além de alicerçar a circularidade da história) não não é de todo sinal da quebra de pacatez
da aldeia — se considerarmos que tudo o que é frequente nos dá tranquilidade, se não prejudica as relações entre os pares e antes as cimenta (tenho algumas dúvidas de que este princípio se possa aplicar a muitas situações).
No caso desta aldeia, se tudo está calmo durante muito tempo é que é preciso desconfiar.
Até porque a calma em excesso não dá história.
Teresa, eu vi a zaragata e a sua simpática alusão a moi e nem reparei em mais nada!
A verdade é que estas zaragatas ficam sempre bem, seja no princípio, no meio ou no fim do livro … A mim divertem-me loucamente, tal como as delirantes fúrias do Capitão Haddock. Por serem tão excessivas e irreais! Concordo com as suas reservas quanto ao efeito tranquilizante das mesmas, se transpostas (com ou sem peixes) para contextos ou situações que não o da simpática e sui generis aldeia. Na qual prolongadas calma e pacatez são causa para desconfiança e alarme … Tal como neste nosso desassossegado cemitério… Mas ainda bem: não é a “paz dos cemitérios” sinónimo de seca monumental?
Teresa, Só é pena que o Uderzo tenha decidido destruir a memória desta série superior e tenha nos ultimos anos feito muito mal ao Asterix e à sua aldeia.
Falando de zaragatas, o La Zizanie é talvez o melhor album de sempre do Asterix.
Verdadinha tudo, Vasco.
Sem o Goscinny o Astérix perde a identidade e a força. Uderzo deve ter pensado que bastava um pouco de poção mágica.