O fim-de-semana passado comprei um piano. Não é de cauda, mas é um piano. Verdadeiro, preto, enorme. Carreguei-o às costas até ao primeiro andar, comprido e pesado. Nessa tarde tocámos juntos. Canções simples e divertidas. Rãs que remam, ursos que saltam, toupeiras que dançam. Tocamos com a língua entre os dentes e os dedos hirtos. Mas tocamos. E rimos. E quando nessa noite fomos todos dormir, o piano lá ficou, no escuro, recheado de notas, a olhar em redor a sua nova morada.
PS: Lembrei-me agora deste texto que escrevi, noutros tempos e noutras paragens.

















Bonito. Tal como o outro tinha sido bonito. Ainda bem que o recuperaste.
Tento compensar com palavras, a falta de jeito com as notas.…..
Abraço.
PS2:.…e já me esquecia. Estiveste muito bem. Ainda não é desta que meto a pestana postiça.
No seu lugar estaria derramando lágrimas nada discretas no primeiro recital do meu filho. Só de vê-lo, aos três anos de idade, vestido de dálmata, com rabo e focinho, cantando uma música que ninguém entendia, eu chorei.
Achei graça no seu relato sobre o piano.Minha mãe sempre gostou muito e assim sendo fui estudar o instrumento favorito dela.Foram mais de dois anos de aulas semanais, mas definitivamente eu não tinha habilidade alguma. Só me lembro da professora sempre me corrigindo a língua, que eu prendia levemente entre os dentes, sem perceber.
Bonito o seu texto cheio de nervos. E este.
Como entendendo esta de partilhar a música com os filhos! Agora, carregar um piano às costas até ao primeiro andar?? Sozinho?? Hércules???
Ze’, mas onde esta’ a tua alma poetica, que diabo?
Mas a pergunta e’ valida. Tive ajuda. Apareceram la’ tres rapazes muito simpaticos vindos da loja. O Ludwig, o Johann e o Wolfie. Vinham vestidos de maneira estranha e falavam mal o Italiano, mas destes jovens de hoje ja’ se espera de tudo um pouco.….
com nomes desses, italianos só se forem de Trieste… Por outro lado imagino o que terás passado: o primeiro não ouvia as instruções para carregar a bisarma, o segundo era um hirto e o terceiro não parou de fazer macacadas. Isto já não há criadagem como dantes…