Sei bem que não devia, e declaração de interesses e coisa e tal. Mas a verdade é que a Guerra e Paz anda em tais trabalhos de renovação e restauro, dirigidos com pulso de guerra e coração de paz pela nova coordenadora editorial, a Maria Teresa Loureiro, que eu, accionista, frio Scrooge de bolsos a abarrotar, não resisto a comover-me e deliciar-me com as últimas lindas edições. Querem ver:
Queríamos tanto ter este fabuloso texto da Agustina (tanta fama, tanto segredo) num livrinho que coubesse na palma da mão. Cabe! E couberam lá dentro 12 ilustrações de Lucy Pepper, as ilustrações mais perto da verdade de Agustina que algum dia vi.

Ficou bonito o livro de Thomas S. Kuhn (S, o S do nome foi decisivo). Agora já ninguém tem razão para andar aí de paradigma desfraldado sem saber do que anda a falar.

Este livro do Coronel Sousa e Castro não é de secta, é de natio. Tem uma leitura universal dos factos de Abril e de antes de Abril, dos factos de Novembro e depois de Novembro. Não ajusta contas, acerta datas o que é sempre a melhor maneira de nos reconciliarmos com a História.

Pessoa, o desdobrável Fernando, ele-mesmo e os outros todos dele, saiu em viagem nunca saindo em viagem. O livro é pequenino e contrasta poemas com as fotos que ele nunca faria, a cores que ele nunca usaria – só os outros, os outros dele.

Dos mortos, fez-se regressar W.M. Thackeray num livro que calha muito bem a este blog de benigno snobismo. Parece que não, mas, superiormente escrito, é um livro de auto-ajuda: ensina-nos o que devemos engolir em sociedade – basicamente tudo – umas vezes com um sorriso glorioso, outras vezes, hèlas, nem nada que se pareça.

E já nas livrarias está a versão praticamente completa (mais nove cartas e postais inéditos) da Correspondência trocada entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena. Nunca Portugal, o Portugal dos anos 50, 60 e 70 foi tão bem escrito, tão desencantadamente amado, com tanta raiva de ser pátria mesquinha.

São seis exemplos do restauro (histórico, científico e literário) em que anda a Guerra e Paz. Agora que já não coro a falar disto, prometo contar mais novidades e mostrar capas já para a semana.
Ah, o que não se parece nada com um post scriptum, a Tânia, na edição, e o Ilídio na produção, têm feito uma linha de meio-campo que é culpada disto tudo.

















Manuel, que Simpático! Quantos é que cada um pode escolher? Dois, três, no máximo? E como prefere que lhe indique a morada para envio? Visto que se trata de gentil oferta, também posso ir buscá-los, diga-me onde, por favor …
Agora, desvanecida, vou concentrar-me na escolha.
Bem pensado Joana, o pessoal do blogue passa a ter desconto. Claro, com compromisso de quantidades mínimas. Não vou dizer números que é para não mostrar ao mundo o desmesurado empenho cultural dos eméritos autores.
Manuel, é tamanha a quantidade de Sinónimos de Scrooge que neste momento me ocorre que não sou capaz de escolher…
Seja como for começo a achar adequado que o pessoal do blogue se mobilize e se organize todo — tipo sindicato, ou assim — para então conversarmos sobre o tal desconto …
Fica um lindo texto com as ilustrações da Lucy Pepper, é verdade, mas o texto da Agustina sobre e com Paula Rego também é uma perfeição onde se equilibram a inteligência, a beleza e a perversidade. Não sabe quem editou este de que falo? Não merece fotografia?
(ai ai, veja lá!, se não vou à G&P trocar a minha primeira edição das cartas de Sena e Sophia por esta última.)
Eugénia, ainda bem que falou nisso, não foi nada que não me tivesse passado pela cabeça! Vamos juntas, que eu estou a sentir-me realmente prejudicada e logo em 9 cartas!
Não seja queixinhas, Joana. A nova edição está, como se diz de uma criança linda, tão perfeitinha. Deu trabalho e houve muita gente dedicada para além da editora. Só assim se chegou às cartas em falta. Infelizmente ainda há duas de que em nenhum dos espólios há o menor rasto.
Acho fantástico todo esse trabalho. Espero que encontrem as outras duas.
Por falar em Sena, ontem no fim do programa do Miguel Sousa Tavares, apareceu uma citação tirada dos Sinais de Fogo e que dizia basicamente que uma boa história depende essencialmente do modo como é contada. Confesso que, tendo adorado o livro, não me lembrava da dita frase. Mas tomei nota. E vou lá buscá-la, direitinha. Da próxima vez que me alegar que as fantásticas histórias que aqui nos conta — como a dos meninos para-quedistas, ou dos desgraçados F&F e da mulher-fantasma-testemunha e outras — aconteceram mesmo assim, just like that, uma sorte aqueles pormenores todos, já sabe. Leva com o Sena, salvo seja. Em grande estilo.
A Eugénia tem, não vou dizer plena, mas carradas de razão, só que o mignonne “Agustina-Paula Rego” já saíu há mais de um ano, nesta editora que a 1 de Abril completa 4.
E não se atreva a trocar nenhuma edição, acumule-as todas. Depois dá para comparar página a página, ver diferenças. O famoso e secreto HH fez disso uma arte.
O Livro dos Snobs foi o meu primeiro clássico estrangeiro, aos 12/13 anos. Nunca pensei que me pudesse rir tanto. Já tive duas edições antigas, portuguesas, (1890?) e perdi-as inexplicavelmente — ou antes, uma, a última, emprestei-a… Desde aí só empresto livros que sei condenados.
Lindo escaparate, e que bem restaurado, sim senhor!
Cá fico à espera de novas novidades…
Ah…mas já que vou descobrir que cartas são essas…
Santa ignorância tropical, Batman!
Acabei de dar uma olhadinha no Mr. Google e percebi que é uma pena que não ensinem sobre eles por aqui.